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Não é sobre Jair Ventura. É sobre Milton Bivar

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A demissão de Jair Ventura no Sport deve ser analisada, antes de tudo, como um movimento político. E preocupante. Foram apenas 35 dias entre o anúncio oficial da renovação anual do contrato – com uma valorização salarial substancial – e a decisão de rasgá-lo. O que deveria ser a convicção para um ano de trabalho se resumiu a um mês. Um mês caótico dentro do clube, com um emaranhado de jogos e poucos dias de treino, pesou mais que um projeto que mostrou solidez na temporada passada, garantindo a sobrevivência na Série A e criando alicerces para a continuidade em 2021. A demissão de Ventura é uma tentativa oca de transferência de responsabilidade pelos danos do colapso do planejamento. E que, obviamente, torna o cenário ainda mais instável e desprovido de qualquer conceito lógico.

Pior: O movimento traz uma face mais grave. Oficialmente o clube está há quatro dias de uma eleição que vem sendo arrastada desde dezembro. A decisão de demitir um técnico com contrato até o fim de ano não poderia – por uma questão de respeito básico ao princípio democrático – ser tomada pela atual gestão, que inclusive tem um presidente licenciado do cargo. Muito menos o substituto deve ser escolhido por Milton Bivar e sua direção. Fazer isso agora não é um desrespeito com Delmiro Gouveia, Eduardo Carvalho e Nelo Campos. Não é algo pessoal. Ou pelo menos não deveria ser. É um desrespeito com o senso básico de democracia. O que mudaria esperar quatro dias para que um novo presidente ou o próprio Milton Bivar (porém com legitimidade para tal) assumisse a responsabilidade por essas decisões? A estreia na Série A será no último dia de maio. Há tempo suficiente para agir com racionalidade, responsabilidade e respeito. Na verdade, havia.

Tudo isso foi atropelado por interesses próprios. Políticos. Menores.

Ou ainda algo mais preocupante: A costura de um novo adiamento da eleição. Não quero acreditar. Mas não duvido. Aliás, no Sport, não duvido mais de nada.

Há um ponto fundamental aqui. Não é sobre ser contra ou à favor da demissão do treinador. E sim sobre questões vitais para qualquer clube: Planejamento, comprometimento de folha salarial e respeito aos princípios democráticos. São pilares estruturais. Muito mais importantes do que técnico A, B ou C. Em uma única decisão, a atual gestão derrubou esses três pilares gerando um efeito dominó de consequências ainda incalculáveis.

O que foi colocado em xeque hoje no Sport não é o trabalho de um treinador. E sim, de uma gestão. Importante separar coadjuvante de personagem principal. Hoje não é sobre Jair Ventura. É sobre Milton Bivar.

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3 Comentários

3 Comments

  1. Avatar

    José Beltrão

    5 de abril de 2021 a 11:52

    Tô com vergonha de ser sport, não temos ninguém por nós. São eles por eles.

  2. Avatar

    Marione Martins de Menezes

    5 de abril de 2021 a 12:25

    Concordo com a demissao do Jair Ventura brincando de técnico todos os jogos. Irresponsável. Vaidoso e orgulhoso. Cadê a humildade dele em reconhecer que erra sempre. Se nao fosse os outros clubes caindo nao caimos tbem para a segunda divisao. Devia ter saido a mais tempo. Só perdemos de 3 x 0, 4×0, uma vergonha, ridicularizados no Brasil todo.Parabéns Bivar. Nao sei o seu objetivo mas prá mim Valeu.

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    Victor

    5 de abril de 2021 a 17:08

    Falando em gestão lembro que Celso em um podcast falou faria campanha contra qualquer candidato que fosse próximo à torcida jovem e isso não aconteceu com a chapa de Milton que nunca escondeu ligação com a organizada.

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