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Eleições alvirrubras: Bruno Becker enxerga a necessidade de tornar Náutico autossustentável

Crédito: Divulgação

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No próximo domingo (5), o Náutico terá sua primeira eleição com bate-chapas desde 2015. Após quatro anos de mandato do presidente Edno Melo, três candidatos buscam o apoio da maioria dos 3.765 associados aptos a exercer o direito de voto para serem eleitos. O NE45 conversou com os três candidatos e na reportagem abaixo traz a sabatina realizada com Bruno Becker, que pleiteia o cargo de presidente pela chapa Náutico Sustentável.

Bruno é advogado e foi vice-presidente jurídico do Náutico entre janeiro de 2020 e outubro de 2021. Cotado para ser candidato à vice-presidência na chapa da situação, Becker acabou se desligando da atual gestão em outubro, mas, segundo ele, sem pretensões de ser candidato. Procurado por outros grupos envolvidos na eleição, acabou se unindo ao ex-presidente do Conselho Deliberativo, Ivan Pinto da Rocha para disputar o cargo.

Questionado sobre a principal necessidade do Náutico para os próximos dois anos, Bruno Becker vê como a maior prioridade o fato de tornar o clube autossustentável, a partir da criação de um ambiente mais profissional e com uma estrutura administrativa mais moderna.

Confira a entrevista com o candidato Bruno Becker:

Apresentação
Até o final de 2015, era um torcedor de arquibancada. Minha história no Náutico veio do meu avô materno, que era sócio patrimonial desde a década de 1970. Inclusive, o título que eu tenho de sócio patrimonial, eu herdei dele. No final de 2015, na eleição do Conselho Deliberativo para o quadriênio entre 2016 e 2019, eu me candidatei como conselheiro avulso e me tornei conselheiro. Fui membro da comissão eleitoral das eleições de 2017 do executivo para o biênio 2018-2019. E, em 2018, entrei no executivo até alcançar a cadeira de vice-presidente jurídico do clube, em janeiro do ano passado, e me mantive nesse cargo até o dia 21 de outubro deste ano. Foi quando eu saí do clube e, naturalmente, eu fui procurado por algumas pessoas. Primeiro, pelo candidato Plínio Albuquerque, mas não me senti, apesar das ideias boas, confortável para integrar a chapa de oposição. Até que, na última semana da inscrição de chapas, eu fui procurado por um grupo, as conversas evoluíram, e em dois ou três dias, vimos que havia um grupo forte e que poderíamos lançar uma chapa porque a gente tinha projeto e uma convergência de ideias.

Pronto para ser presidente?
Eu entendo do clube, eu vivenciei o clube nos últimos cinco anos. Então, eu sei como se dão as discussões no Conselho Deliberativo e conheço ainda mais o funcionamento do executivo, onde eu acompanhei as coisas de perto nesses últimos dois anos. Sei do que foi feito de correto e sei o que foi feito de errado. Também sei o que precisa melhorar e os ajustes que precisam ser implementados para a mudança de mentalidade. Tenho experiência na gestão no Náutico. E não sou só eu. Meu candidato a vice-presidente, Ivan Pinto da Rocha, tem mais de 15 anos de serviço prestados ao Náutico e exerceu praticamente todos os cargos do clube. Temos a vontade de fazer diferente. A vontade de implementar uma metodologia diferente no clube, conceitos diferentes, uma estrutura moderna no clube, algo diferente do que vem sendo feito há 20 anos.

O balanço da atual gestão
Eu acho que nos dois primeiros anos da atual gestão, um ponto extremamente positivo foi a austeridade. Naqueles dois primeiros anos houve uma economia e um controle de gastos. Do ponto de vista de resultado, que também precisa ser analisado, houve o título do Campeonato Pernambucano de 2018 e não há como negar que isso foi muito importante para o clube e para a torcida. Os dois últimos, eu já penso diferente. Eu entendo que foi uma gestão ruim sob vários aspectos: a austeridade deixou de existir e a prova está na quantidade de acordos judiciais não pagos. Houve o adiantamento de uma parcela da cota da Copa do Brasil e tudo isso mostra e deixa claro que que austeridade, que é importante, que foi aplicada nos dois primeiros anos e nesses dois últimos, principalmente em 2021, não existiu. Outro ponto que a gente pode pode falar é a questão da transparência. A transparência, nesses últimos dois anos, não existiu. Quando eu digo transparência não é só prestação de contas, que é algo gravíssimo, porque fere o estatuto do clube. É transparência com o próprio sócio, torcedor e com a imprensa, para saber exatamente o que está acontecendo. Na área desportiva, eu penso que também deixou a desejar. Por dois anos seguidos, o principal objetivo do clube era o acesso à Série A e ele não foi alcançado. Sem falar do péssimo Campeonato Pernambucano, no ano passado, que acarretou na falta de calendário, da Copa do Nordeste, da Copa do Brasil e, consequentemente, na falta de receita pro clube. Então, em linhas gerais, as coisas positivas que aconteceram nos primeiros dois anos. Nesses últimos dois foi o oposto.

Austeridade, passivos e Justiça do Trabalho
Enquanto eu estava no clube, nos últimos meses, o clube já vinha girando no negativo algo em torno de R$ 400 mil ou R$ 500 mil por mês. Eu não sei a realidade depois que eu saí, mas é preocupante porque as receitas deixaram de existir e não tem mais cota ou antecipação, que já foi feita. O Náutico, certamente, vai começar o ano de 2022 já com um saldo negativo em torno de dois milhões. O novo presidente vai pegar uma situação preocupante com déficit e caixa negativo. Hoje, o passivo trabalhista do clube, não é o maior. O maior passivo do clube é o tributário, que gira na casa dos R$ 86 milhões. O trabalhista está na casa dos R$ 50 milhões. O passivo trabalhista do clube tem que deixar de ser gerenciado e passar a ser diminuído. O que se fez até hoje, ao longo de 20 anos, é apenas gerenciar passivo. E o que é gerenciar passivo? É fazer um acordo e deixar de pagar lá na frente, mas evitou um leilão e vai empurrando a dívida para frente para proteger o patrimônio do clube, mas, efetivamente, se você pegar a série histórica do passivo trabalhista do clube, ele só faz aumentar.

Sociedade Anônima do Futebol
Precisamos fazer o uso da legislação moderna que a gente tem, que é a lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que permite que o clube apresente o plano de pagamento, através de uma empresa especializada, aos credores. Com isso, o clube fica isento. Ou seja, não pode ocorrer nenhuma penhora de bem. Não vai ter nenhum leilão, como nos meses de setembro e outubro, que a gente conseguiu suspender 14 leilões da Sede ou da garagem do Remo. Deixa de existir qualquer tipo de bloqueio de conta, qualquer tipo de receita deixa de ser bloqueada por conta de ações e o clube consegue tirar certidões negativas. Tirando esses documentos, o clube consegue atrair, captar investimentos e recursos, inclusive, públicos e o clube tem até dez anos para pagar esses débitos. Quando você vai formalizar esse plano de pagamento, você negocia com um credor, que tem de receber R$ 1 milhão, você negocia com ele e ele vai receber ao invés de R$ 1 milhão, R$ 600 mil. Então, com a negociação, de cara, diminui substancialmente o passivo.

Profissionalização e modernização do estatuto
Não adianta você ter um estatuto moderno se o gestor pensar ainda com a mentalidade de 15 anos atrás, querendo continuar tendo as mesmas discussões e aplicar as mesmas soluções para os mesmos problemas. O ponto principal da nossa candidatura é que o clube seja autossustentável, como toda e qualquer empresa. O nosso primeiro ponto é contratar uma empresa de consultoria para fazer o diagnóstico do público, para elaborar um planejamento estratégico, com um projeto de curto, médio e longo prazo, dentro do que eu entendo que é viável para o clube. O Náutico tem que se profissionalizar. Isso significa colocar pessoas competentes e que entendam das funções que exercem. E, obviamente, todos serão remunerados, pois são profissionais. O clube tem que acabar com essa questão de que toda diretoria tem que ser ocupada por um diretor remunerado e por um abnegado. O diretor jurídico tem que ser um advogado contratado para dar expediente no clube diuturnamente. Para estar lá de 8h às 18h e com disposição 100% do clube. O diretor de marketing, da mesma forma. O diretor de RH, da mesma forma. O futebol é um negócio e está a cada dia crescendo mais, ficando mais moderno, mais desafiador e não faz sentido nenhum não se ter uma gestão moderna e profissional, sempre com profissionais da área. Clubes que não que não seguirem esse caminho, que não se adequarem com urgência, vão ficar pra trás.

Marketing e programa de sócios
Precisamos estudar o que o mercado consumidor do clube quer, que são os sócios e o torcedor. Sem a gente entender o que o torcedor quer, não faz sentido nenhuma proposta de marketing.Existe uma série de tipos de torcedores. Eu preciso conhecer quais são esses tipos no meu universo final e, diante disso, elaborar uma estratégia de marketing moderna, pensando fora da caixa. Não adianta a gente insistir com as mesmas soluções que já estão provadas que, na prática, não mudam em nada. Tem que entender quem é o torcedor do Náutico hoje, que é diferente de um ano atrás, de cinco anos e dez anos atrás. Agora uma coisa é certa. Qualquer projeto tem que gerar no sócio ou torcedor o sentimento de participação. A gente tem que tirar do sócio aquela ideia de que ele está pagando porque o clube está pedindo ajuda. Os sócios têm que pagar a mensalidade, como a gente diz popularmente, com gosto, tem que pensar: “Eu quero pagar porque eu acredito no projeto Porque eu me sinto partido desse projeto. Porque o clube me escuta, porque eu estou tendo um retorno e o retorno não é só a camisa não. É um retorno de se sentir integrado naquele projeto”.

Projetos para o CT
O CT tem, se eu não me engano, 44 hectares e são usados apenas quatro. É uma área absurdamente grande que não é utilizada e gera muito mais despesa. Eu penso que precisa se transformar em um complexo e dividir em três áreas. Uma é o CT propriamente dito, onde ficam os campos e o hotel. Aquele seria o local de treinamento com os campos, alojamentos para a base, o feminino e o profissional. Uma outra área seria destinada para projetos sociais e para o sócio. A quantidade de sócios do clube que desejam conhecer o CT e nunca foram é imensa. Então, o sócio tendo a possibilidade de não só conhecer, mas de usufruir do patrimônio, gera o sentimento de pertencimento, ele já passa a pagar um valor de mensalidade com mais vontade, mais gosto. É importante ter também uma área de lazer, mas que também sirva para os projetos sociais, inclusive, das comunidades do entorno, pois isso gera recurso público. A partir do momento que o clube desenvolve um projeto social lá no centro de treinamento, conseguimos com que esse projeto capte recursos do governo federal e do governo estadual. E captando esse recurso, ele pode ser destinado para o próprio complexo. A terceira área é aquela da frente da BR, que é mais valorizada e, por isso, tem que ser arrendada para uma empresa, uma transportadora, uma empresa de logística ou o que quer que seja. O clube não precisa de um CT na margem da BR. O CT tem uma entrada lateral. Aquela área da frente da BR, sendo arrendada, se consegue, naturalmente, um aluguel na faixa de R$ 100 mil. E esses recursos vão ser destinados para o próprio CT, de modo que o tornaria autossustentável. Isso é o básico. Fora isso, temos a área de tecnologia. Inclusive, no CT, com a construção de um parque de energia solar. Isso não custaria nada ao clube, pois há empresas fazendo isso como parceria. E, assim, o clube passaria a economizar energia. O clube passando a ‘vender’ a energia agrega valor e gera receita pro clube. A partir do momento que eu deixo de pagar energia, um percentual da conta de energia, eu estou abrindo caixa pro clube. O CT tem uma fonte de água mineral. Pouca gente sabe disso. Por que não fazer um termo para que alguma empresa possa explorar isso pagando um valor mensal?

Requalificação dos Aflitos
Eu acho que o estádio precisa de uma intervenção que de fato mude o Náutico de patamar. Não adianta a gente reformar os Aflitos, porque não vai mudar o patamar do clube. Não vai gerar receita. Só vai gerar despesa. Existe um projeto que já foi apresentado há alguns anos atrás ao Conselho Deliberativo, que se chama Projeto Casa. É um projeto extremamente arrojado e feito por alvirrubros. O estádio seria modernizado, mas mais do que isso, o centro administrativo do clube, seria modernizado e integrado ao estádio. Existiria um um espaço para áreas comerciais, um espaço para um hotel e, nele, um restaurante virado para o campo do jogo. Existiria uma praça pública, que também está incluída nesse projeto. Onde hoje funciona o parque aquático teriam quadras poliesportivas também e elas seriam indoor, acopladas a todo esse complexo. É um projeto fantástico que foi apresentado e estranhamente isso não andou. Eu penso que a gente já tem um projeto pronto. É buscar os recursos para realizar. Eu comparo o potencial dele com o que foi feito há 15 ou 20 anos para a construção da Cidade Paranaense. Essa mudança, que foi tomada anos atrás, fez o Athletico subir de patamar e ter condições de conquistar uma Sul-Americana ou a Copa do Brasil. Eles têm uma receita passando da casa dos R$ 100 milhões só com a reestruturação administrativa, com a modernização, com a construção de uma arena do clube. Se a gente quer tirar o Náutico do patamar em que está há 15 anos, precisamos tratar os Aflitos de forma moderna.

Gestão do futebol em 2021
O futebol do clube, esse ano, foi negativamente impactado e não foi por causa da pandemia. Foi pela má campanha no ano passado, que tirou o clube da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil. Em uma conta rápida, o time deixou de receber algo em torno de R$ 4 milhões. Ainda assim, conquistamos um título emblemático, importantíssimo, principalmente, por conta da rivalidade e do tabu que foi quebrado. Agora, eu acho que faltou o planejamento porque a gente ficou com a ideia de que sucesso do clube no Estadual se repetiria na Série B, que é um campeonato completamente diferente e esse ano teve um nível de competitividade altíssimo. Contou com Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Coritiba, Goiás, times fortes com uma estrutura administrativa mais moderna que a do Náutico. Faltou também um modelo para se gerir o futebol do clube, o que temos está equivocado. O clube não pode ser centralizado em uma pessoa. O modelo de futebol do clube tem que ser tocado, no dia a dia, pelas pessoas que entendem de futebol, pelas atividades de futebol, pela análise de desempenho, pela fisiologia, pela preparação física, por todo esse staff que entende de futebol. Essas são pessoas que chegaram no futebol e se tornaram meros partícipes. Elas precisam trabalhar com autonomia, e é nítido que isso não tem. Tudo isso levou a esse sentimento de frustração de todo torcedor do Náutico com essa campanha na Série B.

Projeção para 2022
Eu, enquanto presidente, vou querer que o Náutico entre no Pernambucano forte para manter e defender o bicampeonato, que o Náutico faça uma campanha e chegue às finais da Copa do Nordeste, algo que nunca aconteceu, que avance o máximo possível e chegue até, pelo menos, uma quarta fase da Copa do Brasil e que tenhamos o acesso a Série A, que é o principal objetivo. Agora, não adianta o presidente do clube querer isso. É preciso ter um projeto. É preciso ter recurso pra isso. Austeridade por si só não adianta. A gente precisa de responsabilidade financeira. Eu quero fazer um time com uma folha média de R$ 1 milhão no primeiro semestre. Então, eu vou buscar recurso para isso. Eu vou destinar recurso para isso. Eu já sei que não posso contar com a cota da Copa do Brasil. É planejamento. Em segundo lugar, é mudar o conceito. Vice-presidente e diretor de futebol não dão ordens. Diretor de futebol, vice-presidente de futebol são figuras não-remuneradas. São figuras que têm que coordenar o que todo o staff profissional está fazendo, no sentido de saber o que aqueles profissionais estão fazendo e se estão seguindo o projeto que foi fixado no início do ano, e se não for, é chegar pro executivo e perguntar porque se desviou do caminho do projeto. Hoje, o vice-presidente de futebol negocia com o empresário do jogador a contratação do atleta. Isso não faz o menor sentido. Quem tem que fazer isso é o executivo de futebol. Ele é pago pra isso.

Reestruturação do Departamento de Futebol
Eu não vejo motivo pra trocar os profissionais que hoje estão no staff do futebol. Nós temos profissionais extremamente dedicados e acima de tudo eles são muito competentes. E quando falo, eu falo de todo o staff. Desde o roupeiro ao executivo, Ari Barros, passando pelo gerente de futebol, pelo fisiologista, preparador físico até o nosso treinador, o Hélio dos Anjos. São pessoas dedicadas e competentes. Eu não vejo motivo para não contar com nenhum deles. Agora, é óbvio, teremos um projeto e um novo conceito. Caso alguém não se sinta confortável em participar daquele projeto ou ache que não pode de alguma forma contribuir, é um direito de todo e qualquer profissional não querer seguir no clube diante do nosso projeto. Porém, pelo que eu conheço e pelo que eu converso, pelo que eu vejo o nível de profissionalismo e competência de quem faz o staff do clube, o que eles mais querem é que seja implementado um projeto profissional. Obrigatoriamente, o clube vai ter que trazer jogadores. Até porque estamos perdendo vários jogadores e muitos deles por falta de planejamento.

Base
O clube tem que investir no atleta, no cidadão. Muitas vezes, os garotos chegam no clube com 13, 14 anos e o clube precisa investir no crescimento enquanto cidadão. Atrelado a isso, precisa ter um investimento estrutural na base, que não tem alojamento e as condições são extremamente precárias. Está longe de ter uma estrutura digna de uma equipe de base, que quer gerar recursos pro clube, seja para o atleta ou com participação desse atleta da base no elenco profissional. E tem recurso pra isso. Basta apresentar um projeto, que tem recurso para lá de R$ 1,5 milhão do governo federal, que pode ser destinado para as categorias de base. Precisa ser criada a função de coordenador técnico da base. Ele vai ser responsável por implementar o conceito de futebol do clube e verificar se os treinadores das categorias de base estão de fato aplicando aquele conceito, do ponto de vista técnico, tático e físico. Nessa análise existem duas possibilidades. A primeira que é atleta de base que se desenvolveu tanto e ficou pronto para ser vendido antes de chegar no profissional. Esse atleta tem que ser vendido pra fazer caixa ao clube e pro próprio atleta crescer profissionalmente. Essa venda tem mecanismo, por exemplo, o clube nunca deve vender 100% dos direitos econômicos do atleta. O clube pode ficar com 20%, 30%, pois ainda tem um rendimento, um lucro maior na frente, se o atleta for revendido. E tem a segunda parcela dos atletas de base, que vão ser utilizados no profissional e com dois, três anos vão ser vendidos também. Isso é inevitável. Dos atletas que temos hoje, um Hereda, um Rhaldney, que já são atletas prontos e precisam ser vendidos, principalmente nesse cenário de que o clube vai começar o ano no negativo. Então é preciso fazer a receita. E essa receita imediata é por venda de atletas.

Esportes olímpicos
Em relação aos esportes olímpicos, eu acho que o Náutico tem um bom modelo. Ele precisa ser aprimorado. O esporte olímpico, hoje, segue um caminho de parcerias, pois o clube não tem capacidade de investir mais fortemente. Então, meio que os esportes olímpicos disseram “Vou seguir meu caminho e andar com minhas próprias pernas”, mas o que precisa ser feito é o clube participar dessa parceria. Ele tem que cumprir parte dele e, conseguindo fazer isso, pode também ter acesso tanto aos incentivos governamentais baseado na Lei de incentivo ao esporte, quanto de investidores privados. Tem uma série de benefícios, então toda empresa quer investir. Agora para a empresa investir, ela precisa saber no que está investindo, tem que ter transparência, tem que ter organização, tem que ter prestação de contas, ser ajustado.

Futebol feminino
Em relação ao futebol feminino, eu tinha reflexão e veio mais forte depois do bicampeonato no Estadual. No ano passado, eu estava na Arena e vi o quanto tinha de emoção naquelas meninas. Sem apoio nenhum, elas conseguiram tudo isso. Imagine se tivesse apoio do clube. Podiam estar brigando pela vaga no Campeonato da Série A, sem sombra de dúvidas. Não existe apoio. Elas não concentram, por não ter onde concentrar e para conseguir um ônibus oficial do clube é uma dificuldade. Elas não têm um alojamento, não têm uma nutricionista específica para o futebol feminino. E isso tudo precisa ser feito. Teve um jogo na reta final do campeonato, que nem o uniforme oficial do clube elas tinham. Foi no arranjo. É preciso organizar. Na verdade, basta querer fazer diferente do que vem sendo feito, basta ter a vontade de fazer.

Combate ao preconceito e pautas inclusivas
O Náutico é um clube centenário e tem que cumprir o seu papel, a sua função social. O futebol é o carro-chefe do clube, mas o clube é uma instituição muito maior do que o futebol. O Náutico tem que ter sua parcela de responsabilidade na sociedade, principalmente, nesses temas sensíveis e que são pauta já há algum tempo. Que bom que é assim e que estão tendo espaço e ações efetivas. O clube não tem como fugir disso. Para fazer ações nesse sentido, você precisa minimamente de pessoas que cuidem disso. O clube precisa de um departamento de inclusão social, que, hoje, não tem. O que é visto no clube são campanhas como “Vidas negras importam”, que foi uma campanha belíssima, mas que não foi orgânica. Foi uma belíssima campanha, que foi encabeçada pelo marketing do clube, mas que não foi orgânica. Assim, ela acaba perdendo força e caindo no esquecimento. Precisamos de um departamento para que as pessoas pensem nisso, na questão do machismo no futebol, que se fale sobre a questão racial, do racismo, que a gente se depara isso a todo instante e é algo deplorável, absurdo. A questão da mulher, que está aí os exemplos, e agora no próprio clube. O que não pode é o clube lançar uma camisa em alusão ao Outubro Rosa, lança a ideia para equipe de futebol masculino, jogar com o padrão rosa. O debate vai pro Conselho Deliberativo, a maioria entende por autorizar, o clube faz a solicitação. A CBF autoriza e, na véspera do jogo, um dirigente do clube diz que não vale a pena e se desfaz tudo. Então a camisa rosa era pra quê? De fato aderimos ao Outubro Rosa ou era pra vender? As campanhas têm que ser orgânicas, perenes, tem que ser sistemáticas e tem que existir capacitação. Eu falei anteriormente sobre o investimento no cidadão. É chegar no menino lá na base e dar palestra de educação financeira, falar sobre racismo, falar sobre discriminação, falar sobre esses temas, que a gente vai construindo junto com o atleta também o cidadão. É através desses processos orgânicos do clube que a gente consegue tornar isso perene e amplo, pensando o clube, visando o Náutico como instituição. Porque para você extirpar, de uma vez por todas, atitudes preconceituosas, você precisa educar e punir. Hoje, o clube não está nem educando e, muito menos punindo.

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