Prioridade do Tricolor é de não incluir patrimônio, mas situação do mercado e proposta vantajosa o suficiente pode mudar planos
O Santa Cruz segue com seu processo de se tornar uma SAF e, dentro dos planos, apenas o futebol masculino, feminino e categorias de base seriam negociados com um investidor. Assim, a inclusão do patrimônio tricolor, como o estádio do Arruda, sede e centro de treinamento estaria de fora. Porém, a possibilidade não é totalmente descartada pelo clube.
Quem explicou foi o presidente Bruno Rodrigues, na coletiva de apresentação da consultoria contratada para a transformação do Santa Cruz em SAF, na terça-feira (8). O mandatário afirmou que a ideia inicial é não incluir o patrimônio coral na SAF. Porém, a depender da proposta, pode se discutir essa inclusão.
Ele destacou o fato de que manter o Arruda e toda a estrutura do Santa Cruz é caro e o clube, atualmente, não comporta. Além do mais, são necessários investimentos para modernizar e reestruturar o estádio, sede e CT. Algo que, no caso do estádio, o presidente prioriza através do sistema de arrendamento para alguma empresa.

Foto: Rafael Melo/Santa Cruz
Nesse modelo, alguma empresa ficaria responsável pelo estádio, numa parceria com o Santa Cruz, e poderia utilizá-lo para shows e eventos, gerando receita de outras formas, enquanto tem a responsabilidade de reformar, organizar e manter o Arruda.
“A questão do patrimônio é uma coisa muito importante para todos nós. Como já tenho dito, precisamos de parceiros para poder viabilizar o clube. Nosso estádio tem um pouco mais de 50 anos, é um grande desafio. Minha defesa inicial é colocar o patrimônio fora da SAF. Pode ser que chegue proposta incluindo e vamos discutir isso“, apontou Bruno Rodrigues.
“Vejo que conseguiremos trazer parceiros para estruturar o patrimônio. Por exemplo, arrendar por 25 anos. Minha ideia é trazer empresas que possam modernizar nosso patrimônio, fazendo uma parceria. É uma realidade que estamos discutindo para ter parceiros que possam fazer isso para o Santa Cruz”, concluiu o mandatário tricolor.

Foto: Evelyn Victoria/Santa Cruz
A SAF do Santa Cruz
O Tricolor teve dois momentos onde se desenhavam propostas pela sua SAF. Primeiro, em conversas com o grupo Hype S/A, em 2022, que não andaram. O grupo depois adquiriu o América-RN, além de ter também controle do Azuriz-PR. O momento de instabilidade e a necessidade de organizar questões políticas e financeiras pesaram para que as tratativas não seguissem
Outro momento foi em 2023, onde o ex-presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, ao lado de outros investidores, teve conversas um pouco mais avançadas para iniciar tratativas pela compra da SAF coral. Porém, o momento de instabilidade política e incertezas fizeram com que a negociação fosse encerrada. O ex-mandatário do Tricolor de Aço, inclusive, acabou adquirindo a SAF do Londrina.

Foto: Klisman Gama/NE45
De lá para cá, o presidente Bruno Rodrigues – que assumiu o cargo no fim de 2023 – vem tocando o processo para o Santa Cruz se tornar uma SAF. Um passo maior em direção a isso foi dado ao contratar a consultoria Alvarez & Marsal para assessorar o clube nessa implementação.
A “fase 1” do projeto, onde o modelo de SAF do Santa Cruz é formulado e apresentado a investidores, já está em curso. Com isso, algumas mudanças ainda podem acontecer. Mas, até então, a prioridade tricolor é de vender 90% das ações do clube, num modelo onde qualquer pessoa – e mesmo torcedor coral – possa investir e comprar ações do Mais Querido.
Apesar disso, a ideia é de conseguir um investidor majoritário. Assim, há a possibilidade de que ele compre esses 90% das ações do clube e depois gere um Fundo de Investimento de Participações (FIP) para que outras pessoas, torcedores, possam comprar ações. Ou mesmo, se o investidor majoritário não quiser adquirir os 90%, o percentual menor que ficar disponível seria disponibilizado, como pretende o presidente coral.










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