Treinador rubro-negro conseguiu sete vitórias em doze jogos pelo Leão da Barra
O Vitória venceu o São Paulo por 1 x 0, neste domingo (7), e garantiu sua permanência na Série A do Campeonato Brasileiro de 2026. Na coletiva após o apito final, o técnico Jair Ventura comentou sobre as emoções dentro do vestiário antes, durante e depois da partida contra o Tricolor Paulista, revelando uma conversa antes do jogo.
“Hoje eu acordei cedo, ansioso, estava tomando café, e um jogador meio pessimista veio falar que preferia pegar o Palmeiras porque a gente não ganha do São Paulo. Eu não sabia, já fiquei com uma pulga atrás da orelha. Rafael estava fazendo milagre. Cheguei no vestiário e acalmei eles. Na volta fizemos nosso gol com muita organização ofensiva”, iniciou.
“Feliz demais em poder ajudar essa torcida.Já trabalhei em equipes gigantes, aqui toda hora é Aeronego, corredor, é diferente mesmo. O treinador é o grande vilão quando as coisas não acontecem, mas a gente tem convicção, não é teimosia”, completou Jair.
O comandante do Leão, que conseguiu sete vitórias em doze jogos, também falou da retomada do Barradão como fortaleza da equipe.
“Me sinto privilegiado. Hoje amanheceu um dia lindo, parecia um bom dia para o torcedor tomar uma cervejinha e ver o time dele. Não troco essa profissão por nada. O sentimento é de dever cumprido depois do dia de hoje. É gostoso demais quando conseguimos isso dentro das nossas convicções.”
“Não sei o que vai acontecer. Mas quando eu lembrar de 2025, vou lembrar desse jogo, desse elenco. Com certeza foi um dia mágico. Entre vitórias e derrotas, sete vitórias que ajudaram o Vitória a ficar na Série A.”

Jair Ventura na coletiva após a permanência – Foto: Reprodução/TV Vitória
Outras respostas
Status de “bombeiro”
“Não tenho responsabilidade nenhuma em mudar e me preocupar com o que os outros pensam de mim. Tenho acessos, títulos estaduais, disputei a Libertadores já. Faço meu trabalho. Sei o que eu sou, sei do meu tamanho, não tenho assessoria para cavar nome. Sempre que tenho oportunidade, tento ajudar os clubes. São dez anos como treinador, fui efetivado no Botafogo para salvar do rebaixamento e levei para a Libertadores. Agora deu certo mais uma vez aqui, mas o próximo passo é sobreviver ao estadual, porque eu sei como funcionam as coisas no futebol.”
Baralhas e jogadores criticados
“Um dos meus melhores trabalhos na carreira o Baralhas foi protagonista. A gente conseguiu um tricampeonato inédito juntos, um acesso e 15 vitórias consecutivas. Ele voltou a ser esse cara. Um herói improvável hoje. A gente fez um grande jogo. Tirei o Camutanga por causa do cartão. Zé fez um grande jogo, Willian fez um grande jogo. Quando eu cheguei aqui ninguém queria ver eles.”
“A vida é para quem faz diferente. A gente tem que ter convicção. Uma coisa que eu aprendi é a fazer aquilo que você acha que tem que ser feito. Todo mundo queria tirar os três zagueiros, mas dentro de uma convicção nossa, de um grupo que comprou nossa ideia, a gente fez o improvável.”
Rivais diretos e entrada de Fabri
“O Inter também conseguiu se salvar. Feliz demais pelo Abel, era chacota por causa da idade e mostrou por que é campeão do mundo. É uma referência para mim. Pela amizade e carinho que tenho por ele. Ele apanhou bastante pela declaração que deu, não vou entrar nesse mérito, mas conseguiu dar a volta por cima. (..)”
“Fabri estava atropelando nos treinos, pedindo passagem. Mas se eu perco hoje, iam reclamar que eu não coloquei Osvaldo. A gente estava doido para usar o Fabri, mas ele estava sempre machucando. Quando ele entrou eu ouvi vaias, mas o importante é que o Vitória está na Série A.”
Futebol nordestino
“A dificuldade não é do Nordeste, é das equipes com menos orçamentos. Você tem Palmeiras e Flamengo cada vez mais fortes, estão virando Barcelona e Real Madrid. Ano passado teve o Botafogo que quebrou, mas conseguiu o título depois de virar SAF. É um gigante, me formou como pessoa e profissional, gratidão imensa, mas a gente sabe que a realidade dos clubes é muito difícil se você não tiver o apoio da SAF.”
“Quantas vezes aparece um trabalho como o do Mirassol? É cada vez mais difícil. Vai ser sempre muito difícil equiparar essa força. Nosso vizinho virou SAF, tem mais orçamento, estrutura, voo fretado. É difícil, mas a gente sabe que a paixão é igual. Acho que não tem essa de região, é mais sobre a situação financeira. Aqui a margem de erro é muito pouca. A continuidade do trabalho também ajuda. Teve ano que eu livrei do rebaixamento e caí depois com cinco jogos do estadual. Não vamos mudar o futebol, então vamos seguir aí. Espero ajudar mais times com seus objetivos.”
Principal virtude na salvação
“Os atletas. Sempre eles. São os caras que pagam o preço. A responsabilidade é toda deles e dessa torcida maravilhosa. São os grandes protagonistas. Depois do 8 x 0, o Barradão estava lotado. Tomamos 4 x 0 e o Barradão lotado hoje. Esse dia eu não vou esquecer nunca mais. A gente fez a nossa parte e ficou. Vamos curtir.”

Jair Ventura durante a partida contra o São Paulo – Foto: Victor Ferreira/EC Vitória









0 comentários