Cria da base leonina tinha direito a 30% do valor total da venda de 10 milhões de euros ao Wolverhampton, já o empresário tinha direito a 7%, mas há valores em aberto
O Sport foi notificado judicialmente na última terça-feira (13) por falta de repasses a Pedro Lima e seu empresário, relativos aos percentuais que cada um tinha direito sobre a venda do lateral-direito ao Wolverhampton. O assunto surgiu no Conselho Deliberativo leonino no mesmo dia e o clube emitiu nota, nesta quarta (14), explicando o ocorrido.
O jogador e seu agente receberam nada da 2ª parcela da compra feita pelo Wolves, em repasse que deveria ser feito pelo Leão. Dessa maneira, o Sport acabou notificado para pagar um montante de 1,2 milhão de euros a Pedro Lima e 280 mil euros ao seu empresário. Em reais, esse valor chega a algo próximo de R$ 9,3 milhões.
Pedro Lima foi vendido ao time inglês por 10 milhões de euros, cerca de R$ 61 milhões na época. De acordo com a nota divulgada pelo Rubro-negro nesta quarta-feira, desse total, 30% deveriam ser repassados ao atleta (por volta de R$ 18,3 milhões), 7% ao empresário (em torno de R$ 4,27 milhões), enquanto que os outros 63% ficariam com o Sport (cerca de R$ 38,43 milhões).

Foto: Divulgação
No comunicado, o Sport afirma que ambas as parcelas foram adiantadas junto a uma instituição financeira estrangeira, gerando deságios no recebimento (ou seja, para adiantar o valor, colocando o pagamento do Wolves como garantia, o Leão receberia um pouco a menos).
Assim, a 1ª parcela foi antecipada de dezembro de 2024 para agosto do mesmo ano, com o pagamento a Pedro Lima e seu agente sendo efetuados em janeiro e fevereiro do ano passado. A 2ª parcela foi antecipada de dezembro para junho de 2025, também por uma instituição financeira estrangeira, gerando deságio. Mas houve o reconhecimento de que o atleta e seu representante não foram pagos.

Pedro Lima, Sport – Foto: Paulo Paiva/SCR
Gestão anterior do Sport mostra recibos dos primeiros pagamentos
Em contato com a reportagem do NE45, a assessoria do ex-presidente Yuri Romão compartilhou os recibos dos pagamentos da primeira parcela do repasse, feitas para Pedro Lima e o empresário. Também foi reconhecido o débito relativo à 2ª parcela.
A transferência de pouco mais de R$ 5 milhões para Pedro Lima aconteceu no dia 13 de fevereiro de 2025. Para o empresário, foram pagos pouco mais de R$ 1,4 milhão no dia 31 de janeiro de 2025.

Foto: Divulgação

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Na época da venda de Pedro Lima, a gestão anterior divulgou os dados da venda de uma outra forma. O Rubro-negro teria direito a 70% dos R$ 61 milhões, enquanto que os outros 30% seriam divididos entre Pedro Lima e seu empresário.
Essa versão se choca com a que foi divulgada nesta quarta, pela atual gestão do clube, que afirma que o agente teria direito a 7% e o atleta a 30% do total.
Seguindo com esse cálculo dos valores a serem pagos para Pedro Lima, com o euro fixado em R$ 6,10 (cotação da época da transferência), a primeira parcela foi de, aproximadamente, R$ 5 milhões. A segunda, aproximadamente R$ 7,3 milhões. Essa soma dá R$ 12,3 milhões. Ou seja, para chegar nos R$ 18,3 milhões relativos aos 30% que seriam de Pedro Lima, ainda faltam aproximadamente R$ 6 milhões.
Até a publicação desta matéria, não houve uma explicação por parte do clube sobre esse valor em aberto. Caso haja alguma nova informação neste sentido, o texto será atualizado. O ex-presidente Yuri Romão, por sua vez, emitiu nota oficial para esclarecer o assunto com a sua versão. Veja abaixo:
“É alarmante a forma que estão sendo conduzidos os processos dentro do Sport Club do Recife. Na noite de ontem, a gestão atual fez uma apresentação para o Conselho Deliberativo e trouxe para o debate de forma mentirosa, leviana e desleal a negociação envolvendo nosso ex-atleta Pedro Lima. Omitiram os pagamentos que foram feitos pela nossa gestão, mesmo tendo os comprovantes em mãos, e mais grave, divulgaram para a imprensa uma nota onde camuflam de forma dissimulada, o valor recebido pela gestão atual, nesta segunda-feira (12/01), de UM MILHÃO E DUZENTOS MIL (R$ 1.200.000) referentes a venda do mesmo jogador. Ou seja, com um valor em mãos, optaram por levar a discussão a frente, mentir no dia seguinte (13/01) na reunião do Conselho Deliberativo e não pagaram ao atleta mesmo com esse valor em caixa. Mais uma vez, a transparência dessa gestão se mostra seletiva, irresponsável e leviana. Além disso, novamente passaram para o mercado a imagem de trabalhar com má fé e desorientação. Em 24 horas, foram capazes de mentir para o Conselho, para a imprensa e para o torcedor do Sport. Existe um débito com o jogador (€1.2M) e seu agente (€282k), devido a diversas frustrações financeiras que tivemos em 2025, mas, que seria negociado e equacionado pela nossa gestão no ano de 2026, dada a nossa excelente relação com todos os envolvidos. Reforço meu compromisso com a verdade e o desejo que o Sport prospere sempre”, disse Yuri.

Foto: Divulgação/Sport
Veja a nota emitida pelo Sport
O atleta Pedro Lima foi vendido por 10 milhões de euros, em duas parcelas, sendo primeira de 6 milhões de euros, com data de pagamento em 01/12/2024, e a segunda de 4 milhões de euros, com data de pagamento em 01/12/2025.
Após cada recebimento, o clube deveria repassar 30% do montante recebido para o atleta e 7% para o agente dele.
O recebimento da primeira parcela foi antecipado de dezembro para agosto de 2024, junto a uma instituição financeira estrangeira, com deságio de 191.587 euros.
Os repasses da primeira parcela foram efetivados para o atleta e seu agente em janeiro e fevereiro de 2025.
Os comprovantes divulgados na data de hoje se referem a parte do pagamento desse primeiro repasse.
O valor de 4 milhões de euros, referente à segunda parcela, foi antecipado de dezembro para junho de 2025, junto à mesma instituição financeira, com deságio de 131.285 euros.
Conforme informado pelo executivo, na reunião do conselho, ocorrida nesta terça/feira (13), apesar do recebimento antecipado, a gestão anterior não realizou o devido repasse e o clube foi formalmente notificado pelo atleta e seu agente, cobrando, respectivamente 1.200.000 e 280.000 euros. Assim, a soma da quantia convertida gira em torno de R$ 10.000.000,00.










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