Em resposta ao Sport Unido, mandatário abordou desempenho esportivo, situação financeira, venda de Zé Lucas, SAF e futuro da Ilha
O presidente do Sport, Matheus Souto Maior, respondeu nesta sexta-feira (7), através do site oficial do clube, ao manifesto divulgado pelo grupo político Sport Unido, que fez críticas ao momento esportivo e administrativo vivido pelo Leão. No posicionamento, o mandatário reconheceu a campanha abaixo das expectativas na Série B, mas rebateu parte das acusações e apresentou números e ações realizadas durante os primeiros meses da atual gestão.
Souto Maior destacou que a administração completa 232 dias de um mandato de transição previsto para durar 379 dias. Ao abordar o futebol, admitiu a insatisfação com o desempenho recente na Segunda Divisão e com as eliminações em competições de mata-mata, mas afirmou que a avaliação da temporada não pode desconsiderar outros resultados.
O presidente citou o tetracampeonato pernambucano, a chegada à semifinal da Copa do Nordeste e a participação até a quarta fase da Copa do Brasil. Segundo ele, nos nove anos anteriores, o Sport havia sido eliminado cinco vezes ainda na primeira fase da competição nacional.
Na Série B, Souto Maior reconheceu que a posição atual do clube é insatisfatória, mas ressaltou que o campeonato ainda está na metade. Para o dirigente, cabe à gestão buscar uma reação na competição em vez de antecipar um cenário de fracasso.
Situação financeira e reestruturação
Outro ponto abordado na resposta foi a situação encontrada pela atual administração no início de 2026. De acordo com Souto Maior, o Sport iniciou o ano após o rebaixamento, acumulando mais de R$ 70 milhões em dívidas vencidas, aproximadamente R$ 24 milhões em salários atrasados e R$ 27 milhões referentes a aquisições de jogadores.
O mandatário também afirmou que o elenco inicialmente contava com apenas sete atletas, sendo dois lesionados, e que o clube estava sem treinador e executivo de futebol, além de enfrentar problemas na estrutura administrativa e patrimonial.
Segundo o presidente, em pouco mais de sete meses a gestão implantou centros de custo, controles financeiros, indicadores de desempenho e novos processos de contratação e compliance. Souto Maior também apontou uma redução superior a 60% na folha recorrente, além da reorganização dos departamentos e do lançamento de um novo programa de sócios.
O dirigente citou ainda intervenções realizadas na sede, no CT e na Ilha do Retiro, incluindo banheiros, arquibancadas, salas de imprensa e camarotes. O campo auxiliar, segundo ele, também passa por recuperação sem custos para o clube.
Presidente responde críticas sobre transparência
Souto Maior também se manifestou sobre as críticas feitas pelo Sport Unido ao Portal da Transparência. O presidente admitiu que informações desatualizadas precisam ser corrigidas, mas rejeitou a classificação do portal como uma “fachada”.
Como contraponto, citou a divulgação do panorama financeiro encontrado pela gestão, relatórios de jogos, borderôs, dados de público, movimentações de jogadores, demonstrações financeiras e o relatório trimestral da administração.
Também lembrou a realização do “Bate-Papo com a Gestão”, encontro realizado durante sete meses consecutivos com a participação de sócios sorteados: “Transparência não é uma peça de propaganda: é um processo permanente, que precisa ser continuamente aperfeiçoado”, afirmou.
Venda de Zé Lucas
A negociação envolvendo Zé Lucas também ganhou espaço na resposta. O presidente contestou comparações entre a venda do jogador e uma projeção orçamentária de R$ 40 milhões. De acordo com Souto Maior, desde dezembro de 2025 o clube não recebeu propostas formais do exterior pelo atleta.
O Botafogo teria apresentado um modelo condicionado ao cumprimento de metas, enquanto o Flamengo ofereceu € 1 milhão por 10% dos direitos econômicos. As duas possibilidades foram recusadas. Ainda segundo o dirigente, o Cruzeiro iniciou as tratativas oferecendo US$ 4 milhões por 60% dos direitos de Zé Lucas.
Após as negociações, o Sport teria elevado o valor para US$ 5 milhões, acrescentado R$ 1 milhão em compensação, mantido 20% dos direitos econômicos do jogador e adquirido 35% dos direitos de Murilo, atleta que disputou o Mundial Sub-20 pela Seleção Brasileira. Pelos cálculos apresentados pela gestão, o Leão receberá aproximadamente R$ 26,5 milhões no curto prazo, além de manter participação em uma eventual transferência futura.
Souto Maior também mencionou a venda de Pedro Lima para argumentar que comparações entre negociações precisam considerar valores líquidos, condições de pagamento, obrigações e percentuais mantidos pelos clubes. Segundo o presidente, há ainda uma cobrança superior a R$ 10 milhões dos representantes de Pedro Lima, questão atualmente discutida judicialmente.
SAF e reforma da Ilha do Retiro
O presidente ainda tratou de dois temas considerados estratégicos para o futuro do Sport: a possível transformação em SAF e o retrofit da Ilha do Retiro. Conforme Souto Maior, a modernização do estádio está estimada em aproximadamente R$ 620 milhões. Atualmente, porém, existe apenas uma viabilidade preliminar aprovada pela Prefeitura, sem projeto executivo finalizado ou financiamento contratado.
A gestão pretende solicitar a prorrogação dessa viabilidade, mas o mandatário afirmou que uma obrigação financeira dessa dimensão só poderá ser assumida mediante estudos detalhados, definição das fontes de financiamento, governança e segurança institucional.
Sobre a SAF, Souto Maior defendeu que uma eventual mudança no modelo societário seja discutida de maneira aprofundada. Para o presidente, o assunto envolve patrimônio, controle e o futuro do Sport e, por isso, depende de estudos independentes e de participação efetiva do Conselho Deliberativo.
Contas de 2025 serão analisadas por consultoria
A resposta também trouxe informações sobre a análise das contas referentes a 2025. Segundo o presidente, uma consultoria externa foi contratada e deverá concluir o trabalho entre o fim de agosto e o início de setembro. Caso sejam encontradas irregularidades, Souto Maior afirmou que serão adotadas as providências cabíveis.
Se os trabalhos não identificarem problemas, o resultado também deverá ser divulgado. Na parte final do posicionamento, o presidente criticou a exposição pública das divergências políticas e defendeu que as discussões ocorram internamente e com apresentação de documentos.
Souto Maior argumentou ainda que a instabilidade política pode prejudicar a credibilidade do clube diante de atletas, executivos, patrocinadores, financiadores e possíveis investidores: “Não pedimos silêncio nem concordância. Pedimos responsabilidade. A fiscalização fortalece o Sport; a antecipação eleitoral o enfraquece”, declarou.
Com menos de cinco meses para o encerramento do mandato de transição, o presidente afirmou que as prioridades da administração serão continuar a reorganização financeira e administrativa e buscar a recuperação esportiva na Série B.
“O Sport é maior do que qualquer grupo, qualquer gestão e qualquer eleição. É hora de trabalhar pelo clube inteiro, não apenas pela metade do copo que interessa a cada lado”, concluiu.












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