Repasse feito para quitar dívida com empresa do ex-presidente leonino está sob investigação da CBF
O Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) abriu um processo para investigar a destinação de R$ 5 milhões repassados pela Futebol Forte União (FFU) ao Sport no fim do ano passado. A apuração foi iniciada no último dia 22 de agosto. A informação foi publicada inicialmente pelo ge e confirmada pelo NE45.
A quantia fazia parte de receitas referentes aos direitos de transmissão do clube e, conforme a denúncia encaminhada ao órgão, também integrava as garantias relacionadas a uma antecipação de R$ 19 milhões realizada em setembro.
Pelos termos estabelecidos na operação, os recursos repassados pela liga ao Sport deveriam ser direcionados para uma conta com trava bancária, sob administração de uma securitizadora. O mecanismo impediria que o dinheiro fosse movimentado livremente pelo clube, inclusive entre contas da própria instituição.

Foto: Paulo Paiva/SCR
O pagamento dos R$ 5 milhões, no entanto, teria seguido um caminho diferente. Segundo a representação apresentada ao Comitê de Ética, o montante foi depositado diretamente em uma conta do Sport e, posteriormente, uma quantia de mesmo valor foi transferida para a Múltipla, empresa da qual o então presidente rubro-negro, Yuri Romão, é sócio.
O pagamento teria sido utilizado para quitar uma dívida contraída pelo Sport com a própria Múltipla. A operação financeira que originou esse débito teria ocorrido após a empresa obter um empréstimo bancário para disponibilizar os recursos ao clube.
A justificativa para a participação da Múltipla na operação seria dar maior agilidade à obtenção do dinheiro. Por estar em recuperação judicial, o Sport poderia enfrentar um processo de até dois meses para conseguir o crédito diretamente pelas vias tradicionais.

Yuri Romão, Sport – Foto: Paulo Paiva/SCR
Um dos pontos levantados pela denúncia é justamente a razão pela qual os R$ 5 milhões provenientes da FFU passaram por uma conta do Sport, em vez de serem direcionados à conta com trava prevista como garantia na antecipação de receitas.
O processo agora busca esclarecer as circunstâncias da movimentação financeira e a destinação dos recursos. Além de Yuri Romão, a representação também cita o Condomínio FFU, responsável pela negociação dos direitos do Sport pelo período de 50 anos, e a Sports Media, investidora do grupo.
NOTA DO CONDOMÍNIO FORTE UNIÃO
O Condomínio Forte União (CFU) não foi notificado nem teve acesso ao conteúdo da denúncia. Diante da publicação do NE45, o CFU esclarece que acompanha todas as movimentações de sua conta centralizadora de forma regular, de acordo com os procedimentos previstos em sua Convenção.
No caso da parcela paga ao Sport em dezembro de 2025, houve divergência na execução bancária. O Banco Genial, que opera a conta centralizadora do CFU, deu aos recursos destinação diferente daquela expressamente determinada nas instruções escritas do CFU.
Ao tomar ciência do ocorrido, o Condomínio imediatamente notificou a instituição financeira, registrando que aquela movimentação, embora destinada a uma conta do Clube, não correspondia à instrução emitida.
O Banco Genial reconheceu que não seguiu as instruções recebidas do CFU em função de outros documentos que haviam sido firmados entre o clube e o próprio Banco Genial, sem conhecimento do CFU.
O CFU já prestou estes esclarecimentos à atual diretoria do Sport, se colocou e permanece à disposição do Clube para colaborar com as medidas que a diretoria do Sport entender cabíveis.










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