Treinador pôs panos quentes na relação conturbada das últimas semanas com o torcedor alvirrubro e explicou que gosta da pressão no trabalho
Em busca da paz com o torcedor. Essa foi a tônica de um dos trechos da coletiva do técnico do Náutico, Hélio dos Anjos, na coletiva desta quarta-feira (2). O comandante adotou uma postura conciliadora em meio à pressão e embates que ele e, principalmente Guilherme dos Anjos, tiveram com a torcida alvirrubra nas últimas semanas.
O comandante afirmou que as críticas e as diferentes reações dos alvirrubros servem como ensinamento para ele e Guilherme. Além disso, explicou o que lhe chateou na reação contra o lateral-esquerdo Ryan, que foi alvo das reclamações da torcida após falhar no gol que o Náutico levou do Athletic-MG, nos Aflitos.

Foto: Rafael Vieira/Náutico
“O que tenho que transmitir para meu grupo é tranquilidade. E Guilherme, mais do que eu, e eu também, estamos constantemente aprendendo. A reação negativa do torcedor para mim é um ensinamento, a reação positiva, uma crítica bem definida e elaborada para mim é ensinamento. São 1700 e poucos jogos (na carreira) e todo jogo eu aprendo muito. Todo momento que eu entro aqui dentro do clube eu aprendo muito”, iniciou.
“Então tenho que passar tranquilidade, eu tenho que passar confiança. Agora, se quem comanda não protege o seu jogador, que comandante é esse? Porque a ótica de de erro, é vista muito no aspecto individual. Nós ficamos chateados com a cobrança em cima do Ryan, porque as pessoas veem a cobrança no individual, veem o erro que ele teve, e ele sabe que teve. Agora nós tivemos um erro coletivo no gol”, apontou Hélio.
“Eu não posso colocar na cabeça do torcedor, e de quem analisa, aquilo que a gente enxerga. E nós não vamos escutar o externo. Eu defini a substituição dele a partir do momento que conversei com meus assistentes, porque esses, sim, podem ter influência nas minhas decisões. Agora, externamente, com todo o respeito de tudo que acontece, de todo bom que é o torcedor, não pode me influenciar”, acrescentou.

Foto: Rafael Vieira/Náutico
Outro ponto interessante abordado por Hélio dos Anjos foi de que, apesar dos embates, ele gosta de trabalhar em clube de massa, que tem pressão vinda das arquibancadas. Mas que essa pressão não vai fazê-lo baixar a guarda e mudar de postura.
“Eu prefiro trabalhar em time de pressão. Um dos piores times que eu trabalhei não tinha ninguém. Eu terminava o jogo, eu descia em plena avenida principal da cidade, lá no São Caetano. Os meus jogadores saíam tudo de uniforme, brincando. Não tinha um chato para xingar… Eu não gosto disso. Eu gosto da pressão”, afirmou o treinador
“Eu tenho, como frisei, 40 e poucos anos (de futebol). Será que alguém vai me pressionar a baixar a guarda? Porque com Hélio dos Anjos, as reações de Hélio dos Anjos e hoje, consequentemente, do Guilherme, elas são sempre interpretadas do jeito que as pessoas querem, naturalmente”, contou o técnico do Náutico.

Foto: Rafael Vieira/CNC
“Se eu vou mudar o meu perfil, se nós vamos mudar a minha maneira de ser de ir para o embate? Não. É característico meu, com respeito. E falo uma coisa com sinceramente, ninguém tá pisando em cima de mim, nem do Guilherme, ninguém. Quando eu saí de casa com 13 anos de idade, eu lembro da minha mãe falar ‘vai embora, mas não deixa ninguém pisar em cima de você’. Os meus filhos também são criados dessa forma”, disse.
Por fim, Hélio dos Anjos reconheceu que, apesar da melhora recente na Série B, o Náutico ainda busca estabilidade. E ele comparou com o cenário enfrentado no ano passado, quando chegou para brigar pelo acesso na 3ª Divisão. Algo que conseguiu, mas que veio sob forte pressão em si mesmo.

Foto: Rafael Vieira/Náutico
“Eu acredito que a torcida vai estar presente, a torcida entendeu a nossa instabilidade cobrando. E agora é a gente buscar, como eu falei, com pés no chão, estamos buscando estabilidade ainda. Quando eu cheguei aqui, um ano e cinco meses atrás, ali era pressão. Hoje eu sei de onde tirar. Quando eu cheguei não tinha nada para tirar. Ali era pressão porque eu me envolvi com o processo”, assumiu o comandante.
“Então eu, antes do torcedor, antes de qualquer um, eu me pressionava muito. Porque se Hélio dos Anjos vem ao Náutico no ano passado e não consegue o objetivo do Náutico, nós sabemos o que poderia estar acontecendo no Náutico hoje. Nós sabíamos. Não tinha condição de aguentar mais um ano de terceira divisão, de ostracismo”, encerrou.
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Próximo jogo do Náutico
O Timbu volta a campo nesta quinta-feira (3), quando vai encarar o Botafogo-SP no estádio dos Aflitos. A partida terá início às 20h e é válida pela 26ª rodada da Série B.










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