Tricolor tem pontos fortes que o colocam na briga direta pelo acesso, mas precisa corrigir falhas para não viver o mesmo drama da 1ª fase
O Santa Cruz se classificou praticamente na “bacia das almas” para a 2ª fase da Série C. Mais sofrido do que deveria ser, mas passou em 8º, com 29 pontos. E uma das grandes curiosidades dessa campanha do Tricolor é que a classificação veio devido ao seu bom desempenho contra os times do G-8.
Um fato importante é que o Santa Cruz não perdeu para nenhum dos outros sete times que avançaram à 2ª fase da Série C. Ao todo foram três vitórias (Brusque, Inter de Limeira e Paysandu, todos fora de casa) e quatro empates (Ferroviária em casa, Floresta, Maringá e Botafogo-PB fora). Um aproveitamento de 61,9% nesses duelos, sendo seis jogos longe de casa.

Foto: Fernando Teramatsu/Maringá
A partir daí, temos outro ponto que contrasta com esse aproveitamento ao olharmos friamente o dado: o Santa Cruz não venceu nenhum dos três times que estão no seu grupo da 2ª fase. Mas os jogos tiveram contextos específicos e que, analisando cada um, foram resultados bons para o Tricolor.
Contra o Floresta, na 2ª rodada e ainda sob o comando de Claudinei Oliveira, o Santa Cruz fez um bom jogo e mereceu a vitória. Até saiu na frente, mas sofreu o empate em 1 x 1 e não conseguiu converter as boas chances que criou.

Foto: Lenilson Santos/Floresta EC
Contra o Maringá, no começo de trabalho de Cristian de Oliveira, o Tricolor buscava estabilidade após a largada ruim na Série C. O time vinha de duas vitórias nos dois primeiros jogos e pegou um adversário difícil nos domínios dele. Empate em 1 x 1, com uma defesa que vinha em crescente e um ataque que já mostrava o calo que seria na competição.
Diante do Botafogo-PB, já consolidado na briga pelo G-8, a Cobra Coral buscava reação por vir de derrota em casa contra o Figueirense. Depois de um primeiro tempo ruim, que saiu perdendo por 1 x 0 – com margem para mais -, o Santa cresceu, empatou, ficou atrás do placar e empatou novamente, mostrando poder de reação.

Foto: João Neto/Botafogo-PB
O que se extrai de bom e de ruim da 1ª fase do Santa Cruz?
Sabe-se que o time do Santa Cruz é “cascudo”. Sabe sofrer, não perde a cabeça durante momentos adversos do jogo e tem a melhor defesa da competição, mesmo que ainda tenha caído de desempenho nos últimos jogos. Ao retomar essa consistência, o Mais Querido voltará a ser um time difícil de ser batido.
Além disso, é notório os problemas ofensivos do Santa Cruz. O time não é tão criativo em jogos contra adversários mais fechados, apesar de ter jogadores com essa capacidade. Mas o principal calo é na conclusão das jogadas. Falta um nove matador, algo que nem Eron e Tiago Marques conseguiram ser, além de que esse poder de finalização também falta aos jogadores ao seu redor do ataque.
Por isso o Tricolor acaba sendo tão dependente da bola aérea, que é um dos seus principais pontos fortes na competição. Ter uma boa bola aérea é um fator que decide jogos e pode definir acesso, mas precisa estar aliado a um repertório ofensivo maior, pois não é sempre que ela vai salvar, e o Santa viu isso em jogos que não conseguiu balançar as redes.

Foto: Paulo Paiva/FPF
O desafio do Santa Cruz é ser um mandante melhor
Outro grande desafio é de melhorar seu desempenho na Arena de Pernambuco. O Tricolor perdeu quatro dos seis jogos na Série C em seus domínios, venceu quatro e empatou um. Muito pouco para quem sempre teve o fator casa como fundamental nos seus grandes anos.
E essas derrotas vieram justamente pela ineficácia do sistema ofensivo. Criava pouco, perdia gols, se expunha por conta da pressão das arquibancada e a ansiedade vinda disso. Aí dava brechas e sofria o gol assim. Até porque todas as derrotas foram por 1 x 0, para Amazonas, Ypiranga-RS, Figueirense e Maranhão.

Foto: Rafael Vieira/FPF
Um acesso passa muito pelo desempenho dentro de casa. Se o Santa Cruz conseguir fazer pelo menos 7 pontos nos seus domínios, e contar com seu bom aproveitamento longe de Pernambuco, dá para ser otimista com o acesso.
Agora no reencontro com esses três adversários, e finalmente os enfrentando em casa, o Santa Cruz colocará à prova o seu bom aproveitamento contra os times que fecharam o G-8, contando com a força da sua torcida.
É outro campeonato, outro pensamento e estratégia. Margem de erro menor, com a necessidade de ter um trabalho que possibilite pavimentar o acesso à Série B após 9 anos da última vez que a disputou.










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