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Bahia: Quatro integrantes de torcida organizada do clube vão a júri popular por ataque ao ônibus em 2022

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Por Antonio Marzaro

Por Antonio Marzaro

Postado dia 24 de setembro de 2026

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Acusados respondem por tentativa de homicídio após atentado com artefatos explosivos que deixou Danilo Fernandes e Matheus Bahia feridos

Quatro integrantes da torcida organizada Bamor serão levados a júri popular pela acusação de participação no ataque ao ônibus do Bahia, ocorrido em fevereiro de 2022. A decisão foi tomada pelo 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, que apontou a existência de prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.

Os quatro acusados respondem por tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio que poderia resultar em perigo comum, neste caso, artefatos explosivos. A decisão foi proferida no dia 15 de setembro.

A pronúncia, no entanto, não representa uma condenação. Nesta etapa, cabe à Justiça verificar se há elementos que indiquem a ocorrência do crime e indícios suficientes de autoria para que os acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri. A análise do mérito ficará a cargo do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.

A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso. Por isso, o julgamento ainda não tem data definida. O júri somente poderá ser marcado após o trânsito em julgado da sentença de pronúncia, quando estiverem esgotadas as possibilidades de recurso contra essa decisão. Os quatro réus respondem ao processo em liberdade.

Vidro do ônibus do Bahia quebrado - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Vidro do ônibus do Bahia quebrado – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Relembre o caso

O atentado aconteceu em 24 de fevereiro de 2022, quando o ônibus que transportava a delegação do Esquadrão seguia para a Arena Fonte Nova, onde o Tricolor de Aço enfrentaria o Sampaio Corrêa pela Copa do Nordeste.

Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia, os quatro acusados e outros três indivíduos ainda não identificados se deslocaram em dois veículos e aguardaram a passagem do ônibus. Na sequência, artefatos explosivos foram lançados contra o coletivo.

As explosões perfuraram a lateral do ônibus e atingiram os então jogadores Danilo Fernandes e Matheus Bahia. O goleiro sofreu ferimentos no rosto e nas pernas e precisou passar por cirurgia no olho esquerdo. Já o lateral teve lesões nos braços, rosto e pernas. Um terceiro carro que trafegava pela região também foi atingido por um dos artefatos.

De acordo com a acusação, dois dos denunciados teriam sido responsáveis pelo lançamento dos explosivos, enquanto os outros dois teriam conduzido os veículos utilizados na ação e na fuga.

Danilo Fernandes após ataque ao ônibus da delegação do Bahia

Danilo Fernandes após ataque ao ônibus da delegação do Bahia – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Justiça aponta indícios de atuação conjunta

Para determinar a pronúncia dos quatro acusados, a Justiça considerou diferentes elementos reunidos durante a investigação e o processo. Entre eles estão imagens periciadas, laudos de lesões corporais, exames realizados nos veículos, análises químicas, depoimentos de testemunhas, declarações das vítimas e os interrogatórios dos réus.

Um dos laudos químicos encontrou vestígios de pólvora em um dos veículos apontados como utilizados pelos acusados. Na decisão, a magistrada considerou que os elementos reunidos indicam, nesta fase processual, uma possível divisão de tarefas entre os envolvidos.

“Os elementos acima mencionados, em tese, revelam convergência quanto à atuação conjunta dos acusados para que o veículo fosse atingido, com divisão de tarefas entre os arremessadores dos artefatos explosivos e os condutores dos veículos de apoio e fuga”, afirmou a juíza na sentença.

A magistrada também apontou a existência de indícios de dolo eventual na conduta descrita na denúncia, considerando o lançamento dos explosivos contra um veículo que transportava diversas pessoas.

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