Times se enfrentam neste sábado, nos Aflitos
Por Pedro Maranhão e Rayane Domingos
Quando Sport e Náutico se enfrentaram pela primeira vez nesta Série B, no dia 30 de maio, os dois times olhavam para a parte de cima da classificação. Valia a liderança da competição. Quase quatro meses depois, o cenário mudou consideravelmente. O clássico deste sábado (26), nos Aflitos, coloca frente a frente equipes que passaram por mudanças no elenco, oscilações na tabela e momentos de forte pressão ao longo da competição.
Naquele primeiro encontro, disputado pela 11ª rodada, o Sport venceu por 2 a 0, com dois gols de Chrystian Barletta, e chegou aos 22 pontos. O resultado levou o Rubro-negro ao topo da Série B, empatado em pontuação com o Vila Nova. O Náutico também vivia um momento de confiança.
Apesar das dificuldades encontradas nas primeiras rodadas, o Timbu havia crescido na competição e chegado à vice-liderança na rodada anterior ao clássico. Eram cinco partidas consecutivas sem perder, com quatro vitórias e um empate, incluindo goleadas sobre América-MG e Operário.
Ou seja: o primeiro Clássico dos Clássicos da Série B encontrou os rivais pernambucanos em um cenário bastante diferente do atual. Enquanto o Sport buscava consolidar a liderança, o Náutico tentava confirmar a arrancada que o havia colocado entre os primeiros colocados.
Clássico representou uma virada negativa para o Náutico
Para o Náutico, havia ainda um componente emocional importante. O confronto representava a oportunidade de sustentar o bom momento e também de dar uma resposta diante do rival que havia conquistado o Campeonato Pernambucano justamente nos Aflitos meses antes.
Dentro de campo, porém, o Timbu voltou a apresentar um problema que já havia aparecido em outros momentos da temporada. A equipe conseguiu produzir ofensivamente, mas não transformou as oportunidades em gols. O Sport, por sua vez, aproveitou os espaços e os erros do adversário para construir a vitória por 2 a 0. O impacto daquela derrota foi além dos três pontos.
Depois de chegar ao clássico embalado por cinco partidas de invencibilidade, o Náutico entrou em uma sequência de oito jogos sem vencer na Série B. Foram seis derrotas e dois empates, trajetória que fez o clube despencar na classificação e trocar a briga pelas primeiras posições pela preocupação com a proximidade do Z-4. A reação só aconteceu na 19ª rodada, quando o Timbu derrotou o Londrina por 2 a 1, nos Aflitos, encerrando o longo jejum.
Time do Náutico também mudou bastante
Assim como aconteceu com o Sport, basta olhar para a escalação do primeiro clássico para perceber o tamanho das mudanças no Náutico. Hélio e Guilherme dos Anjos escalaram naquela oportunidade: Muriel; Reginaldo, Mateus Silva, Betão e Igor Fernandes; Leonai Souza, Luiz Felipe e Dodô; Vinícius, Victor Andrade e Paulo Sérgio.
Arnaldo, Yuri Silva, Vitinho, Derek e Júnior Todinho foram utilizados durante a partida. A ausência mais sentida naquele momento era Wenderson. O volante, que segue entre os destaques da equipe, não esteve à disposição para o clássico.
Desde então, vários jogadores daquela partida deixaram de fazer parte dos planos. Leonai Souza, Yuri Silva, Vitinho e Dodô saíram durante a reformulação promovida pelo clube em julho. A situação de Dodô foi uma das mais conturbadas. O meio-campista chegou a pedir para ser reintegrado ao elenco principal, mas posteriormente acionou o Náutico judicialmente buscando a saída do clube.
Outros jogadores que participaram daquele clássico permaneceram no elenco, mas perderam espaço. Mateus Silva passou por críticas e também sofreu com problemas físicos, enquanto Victor Andrade deixou de ser utilizado após um período de baixo rendimento.
O caso de Paulo Sérgio é ainda mais emblemático. O clássico na Ilha do Retiro foi a última partida para a qual o centroavante foi relacionado. Vice-artilheiro do Náutico naquele momento, ele passou a conviver com uma sequência de lesões e permaneceu em tratamento no departamento médico. Hélio dos Anjos chegou a admitir posteriormente a possibilidade de liberação caso surgisse um clube interessado, negociação que acabou dificultada justamente pelos problemas físicos.

Barletta foi o protagonista do primeiro turno, com dois gols marcados – Foto: Paulo Paiva/SCR
Sport também trocou de cara
Do outro lado, o Sport igualmente chega ao reencontro bastante modificado. Márcio Goiano comandava o Rubro-negro na vitória do primeiro turno, mas perdeu o cargo após a queda de rendimento que sucedeu a liderança. Gilmar Dal Pozzo assumiu na sequência, permaneceu por 11 partidas da Série B e também acabou demitido.
A diretoria então recorreu a Mariano Soso, de volta ao clube depois da passagem em 2024. O argentino assumiu a missão de recolocar o Sport na zona de classificação. Depois da vitória por 2 a 1 sobre o Juventude, o Leão chegou aos 44 pontos e ocupa a nona posição, somente dois pontos atrás do Atlético-GO, sexto colocado.
Além das mudanças no comando técnico, o elenco passou por uma grande reformulação na janela do meio do ano. O Sport contratou 13 jogadores: Brenno, Claudinho, Raí Lopes, Kayky Almeida, Willian Oliveira, Murilo Rikhman, Patrick de Paula, Fernando Sobral, Diego Hernández, Juan Alano, Dudu Teodora, Kervin Andrade e Neto Pessoa.
Também ocorreram diversas saídas ao longo desse processo. Entre os jogadores que deixaram o clube estão nomes como Yago Felipe, Zé Roberto, Gustavo Maia, Iury Castilho e Pedro Martins. Dessa forma, tanto Sport quanto Náutico chegam ao segundo clássico com peças e contextos diferentes daqueles encontrados na Ilha do Retiro.
De protagonistas a perseguidores
A comparação entre os dois clássicos também evidencia como uma Série B pode mudar em poucos meses. Em maio, Sport e Náutico entraram naquele fim de semana ocupando posições de protagonismo na competição. O Timbu havia alcançado a vice-liderança na rodada anterior, enquanto o Leão terminou o clássico no topo da tabela.
Agora, o confronto acontece em outro contexto. O Sport tenta transformar a reação iniciada contra o Juventude em uma arrancada definitiva para retornar ao G-6. Para isso, também precisa melhorar o rendimento como visitante, já que perdeu seus últimos quatro compromissos longe da Ilha do Retiro.
O Náutico atravessa, mais uma vez, uma turbulência grande na Série B e precisa virar a chave de vez para continuar na busca pela permanência na competição. Às vésperas do Clássico, o clube anunciou a saída de Hélio e Guilherme dos Anjos do comando técnico do time. A mudança era esperada visto a sequência de resultados e desempenhos ruins da equipe, que voltou a se aproximar do Z-4. O período de oito partidas sem vitória mudou o rumo da campanha e obrigou o clube a lidar com uma realidade bem diferente daquela vivida antes de visitar a Ilha.
Se o clássico de maio reuniu dois times embalados e olhando para o topo, o de setembro encontra dois rivais transformados pela própria Série B. Elencos mudaram, jogadores perderam espaço, outros chegaram e o Sport ainda passou por diferentes comandos técnicos. Quase quatro meses depois, os Aflitos recebem um “novo” Clássico dos Clássicos.











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