publicidade

">

Nos 110 anos do clube, torcedores do Santa Cruz citam motivos para celebrar mais um aniversário: “Símbolo de resistência”

Santa Cruz, Estaduais, PE, Últimas

Por Yago Mendes

Por Yago Mendes

Postado dia 3 de fevereiro de 2024

COMENTE

Clube coral vive atualmente seu pior momento desde a fundação

“O Santa Cruz nasceu e viverá eternamente”. Mesmo quase 110 anos após ser proferida por Alexandre de Carvalho, a frase que se tornou um mantra para a torcida do Tricolor do Arruda segue ecoando nos corações da massa coral.

E esse sentimento é o que motivará muitos torcedores a saírem pelas ruas trajando suas camisas para celebrar a existência de um clube centenário, que mesmo vivendo a pior crise de sua história, na qual chegou ao ponto de ficar sem calendário nacional e repleto de incertezas por poder parar as atividades já em abril, tem a sua história eternizada nas mentes e corações daqueles que escolheram o “Clube do Povo” para amar.

Por isso, no dia em que os 11 adolescentes levaram uma bola ao pátio de Santa Cruz para demonstrar seu amor pelo futebol completa 110 anos, o NE45 ouviu torcedores corais para tentar responder a seguinte pergunta: “O que a torcida do Santa Cruz tem a celebrar no aniversário da Cobra Coral?”.  

A resposta mais óbvia pelo momento atual do clube seria a de que não há o que comemorar. Contudo, quem ama o Santa Cruz sempre tenta ver o lado positivo, enxergando assim o dia 3 de fevereiro como um ponto de virada para dias melhores. 

“Santa Cruz e crise são palavras que compõem a mesma frase há quase duas décadas. No entanto, a torcida lá estava e assim será até o último dia, seja do clube ou de suas vidas. Nesse ano, o pior na história do clube, sem sombras de dúvida, não há o que comemorar. Mas sim, renovar os votos com a torcida que quer ver ‘O mais querido’ voltar a ser ‘O terror do Nordeste’. É uma data que todo tricolor lembra o motivo que o faz torcer por esse clube”, cita o programador Rafael Bloise.

Este laço indissolúvel entre o Santa Cruz e o seu povo também foi destacado pela jornalista Marjourie Corrêa. Segundo ela, é necessário celebrar a data, mas também refletir para evitar os velhos erros que levaram o Tricolor do Arruda para longe dos seus dias de glória.

“Assim como em aniversário de gente, a gente reflete nessa data em tudo o que precisa ser feito para sair desse buraco. Ninguém está satisfeito, mas a gente ama o time e precisa apoiar. Não são e nem serão dias fáceis, mas a única certeza é a torcida”, disse.

“É inevitável não lembrar de tantas superações já vivenciadas por esse clube. Acho que diferente de romantizar fracasso, como os rivais dizem, é simplesmente entender que a torcida precisa dar esse apoio”, salientou Marjourie.

“Cantarei por ti nossa tradição”

E se a realidade atual não é digna de celebrações em verso e prosa, os corais se apegam ao aniversário de 110 anos do Santa Cruz para celebrar as glórias do passado e o efeito que o clube teve em cada uma de suas vidas. 

“(Hoje é dia de) Celebrar as conquistas. Celebrar os jogos e vitórias marcantes, muitas vezes ao lado da família ou de amigos. Celebrar as amizades, os laços criados ou fortalecidos pelo Santa Cruz. Celebrar o encontro de gerações em torno do clube. Celebrar o amor compartilhado pelas 3 cores. E, celebrando tudo isso, manter acesa a chama de esperança por dias melhores”, salientou o engenheiro Arthur Silva.

Outro fator bastante relevante para os torcedores do Santa Cruz é o sentimento de comunidade sentido nas arquibancadas. Para muitos, o clube é um local de encontro com amigos, um espaço de sociabilidade e que fará muita falta durante o longo período sem jogos que deve vir no segundo semestre de 2023. 

“O Santa Cruz é um local de muitos encontros. Aqui, nós fazemos amigos, criamos laços, vínculos, através do clube. Então, se está vivendo uma crise, quando vamos passar muitos meses sem jogar, a gente passa muito tempo sem uma das nossas principais atividades de alegria, que é ir na rua encontrar os amigos e ver um jogo. É um espaço de sociabilidade que a gente perde. Quando o Santa Cruz joga é uma festa, então ser Santa Cruz, participar desta manifestação é viver um clube que diz muito sobre a minha vida pessoalmente, a vida de muitos meus amigos e muito sobre a história do Recife e de Pernambuco”, citou o historiador Diogo Xavier.

“O Santa Cruz é essa experiência compartilhada também porque a gente sabe que não estamos sozinhos. Estamos vivendo um momento muito difícil, mas o Santa Cruz é participar dessa experiência coletiva. E por isso que a gente celebra o clube, e é por isso que a gente sabe que Santa Cruz nunca vai acabar, porque a sua torcida garante a sua existência e seu pertencimento no mundo. Então, basicamente, ser Santa Cruz é participar de algo muito maior do que nós”, complementou.

Santa Cruz: um símbolo de resistência popular

Contudo, para além das reflexões sobre o futuro do clube e sobre a importância do Santa Cruz na vida dos seus torcedores, um sentimento muito presente para este aniversário de 110 anos é que o clube é, na sua essência, um símbolo de resistência ou até mesmo de re-existir. 

“O aniversário deste ano é diferente. Temos muito pouco ou quase nada para comemorar. Acho que o que deve ser celebrado é a resistência. O Santa Cruz, pela incompetência histórica dos seus dirigentes e pela falta de cuidado com o patrimônio ao longo de décadas, é um clube que não deveria existir. Se ainda existe, desafiando a lógica, não do jeito que a gente gostaria, mas com mais força do que se imagina, é graças à sua torcida, que continua sendo um ponto (muito) fora da curva, felizmente”, apontou o jornalista e comentarista do Podcast 45 Minutos, Filipe Assis. .

“O Santa Cruz é o clube que nasceu do povo, que foi abraçado por ele e até hoje sobrevive por conta desse povo. Se não fosse a sua torcida, o Santa Cruz hoje estaria só nas nossas lembranças. Outros times também passaram por provações, como Portuguesa e São Caetano, mas nem se comparam com o peso da tradição que temos. Então, acho que a resposta é essa. O que mais tem a celebrar no Santa Cruz nos 110 anos é a sua própria torcida”, complementou o jornalista Diego Borges, antes de finalizar seu pensamento.

“Claro, são muitos feitos, são muitas glórias, são muitas conquistas que não se apagam, mas o que de fato brilha mais do que qualquer título, o que brilha mais do que qualquer estrela que o Santa Cruz tenha revelado, qualquer mérito que o clube tenha conquistado, é a sua própria torcida, é o seu próprio povo, é o que faz o Santa Cruz ser o que é. Então, parabéns Santa Cruz, parabéns principalmente a sua torcida e que esses dias de luta possam ser recompensados novamente com glórias que se juntam ao nosso passado”, concluiu Borges .

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE
">

TRENDING

publicidade