A Série B vive um impasse de acordos a pouco mais de um mês para o seu início
A pouco mais de um mês para o seu pontapé inicial, a Série B do Campeonato Brasileiro vive um cenário de grandes incertezas financeiras, sendo elas relacionadas a acordos que os próprios clubes realizaram, sejam eles de transmissão ou publicidade. O tema ganhou mais relevância quando o vice-presidente financeiro e futebol do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, revelou a possibilidade da competição colapsar caso a CBF não custeie a logística dos participantes.
Dos 20 times que integram a Série B de 2026, 19 fazem parte da liga Futebol Forte União (FFU) – São Bernardo é a exceção -, dos quais 18 negociaram seus direitos comerciais por 50 anos – este é o caso de Sport, Fortaleza, Ceará e CRB. Os clubes que fazem parte do conglomerado estão sob o risco de não receber o subsídio da CBF para custeio da logística, que engloba viagens, hospedagens e alimentação para jogos fora de casa na competição nacional.
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“Se esse apoio não acontecer, o cenário é terrível. Estamos falando de uma competição que pode entrar em colapso. Uma viagem para um jogo da Série B de Brasileiro hoje não sai por menos de 200 a 250 mil reais. Quem vai bancar isso?”, afirmou Hugo Jorge Bravo em entrevista à imprensa goiana.
“Se atribuírem aos clubes despesas como logística e arbitragem do dia para a noite, isso pode gerar um efeito em cadeia. Vai ter clube mandando jogador embora, clubes com dificuldades sérias de caixa e, infelizmente, pode até acontecer WO por incapacidade financeira de viajar”, completou.

Foto: Junior Souza/CBF
O Náutico, por não ter amarras com a FFU, já que não negociou os seus direitos comerciais, e o São Bernardo, por não fazer parte do grupo, firmaram um contrato de transmissão à parte para a disputa da segundona através do intermédio da CBF. A entidade negociou com o Grupo Globo, que comprou 38 jogos das duas equipes, sendo 19 mandos dos pernambucanos e 19 dos paulistas.
Segundo informações do jornalista Clauber Santana, diante deste acordo firmado através da CBF, além de garantir uma cota fixa de R$ 14,9 milhões, o Timbu ainda vai receber R$ 3 milhões destinados para logística, algo que os outros 18 clubes ainda não têm garantido, uma vez que negociaram seus direitos comerciais por conta própria. Como consequência, a CBF ameaçou não custear estas agremiações.
Este, no entanto, não é um o único tema financeiro que causou rebuliço nos bastidores da Série B. O Fortaleza será, com sobras, o time de maior arrecadação com placas de publicidade em estádios, de acordo com informação publicada pelo jornalista Fernando Graziani. O Leão do Pici vai receber R$ 28 milhões por temporada até 2029. Este acordo foi firmado com a empresa Brax, por meio de uma negociação conduzida pela FFU no final de 2024, quando Marcelo Paz ainda era presidente do grupo e CEO do time cearense. Vale destacar que naquela altura, o Tricolor estava em período de alta esportiva.
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Esta cifra, por exemplo, chega a ser seis vezes maior do que o que outros clubes da Série B vão receber, e isso pode ter causado um certo descontentamento nos demais participantes. O assunto, inclusive, foi debatido no Podcast 45 Minutos desta segunda-feira (3). Fred Figueiroa, um dos integrantes da bancada, levantou o questionamento: “Como os outros clubes reagiram e receberam a confirmação dessa notícia?”.
De acordo com o jornalista, “pelo menos três clubes se colocaram extremamente surpresos, quase que deixando claro que não sabiam da existência de um acordo de venda de placas de publicidade, independentemente de jogarem Série A ou Série B”. Fred completou dizendo que recebeu informação de que algumas equipes “estão se reunindo em torno desse assunto para levar esse questionamento à cúpula da FFU, que já não é mais presidida por Marcelo Paz”.
“A gente está falando que o Fortaleza tem um contrato de placa de publicidade que só foi oferecido a ele e, de acordo com Lel Fontenele, ao Athletico-PR. Só esses dois clubes teriam tido acesso a esse contrato? Ou outros clubes tiveram acesso com valores menores e não quiseram assinar, ou assinaram com valores menores? São interrogações que a gente deve ter respostas ao longo dessa semana”, questionou Fred.
Na mesma coletiva de imprensa concedida nesta semana, o vice-presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, mencionou que dentro da Série B algumas agremiações possuem contratos e realidades diferentes, e que isso precisa ser equilibrado pela CBF. Ainda é incerto se a fala foi direcionada ao Náutico e São Bernardo, pelo acordo de transmissão, ou ao Fortaleza, pelo contrato de publicidade de placas.
“Temos hoje clubes com contratos diferentes, realidades diferentes, e isso precisa ser equilibrado. Cabe à CBF, como casa-mãe do futebol brasileiro, buscar uma conciliação entre clubes, liga e emissoras para que a Série B do Campeonato Brasileiro aconteça de forma sólida e justa”, concluiu.
Portanto, a Série B do Campeonato Brasileiro vive um momento de muitas incertezas em função destes dois acontecimentos que vieram à tona nos últimos dias e que levantam a possibilidade do certame sofrer um colapso.
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