Camisa 8 foi essencial em 2023, mas perdeu espaço e pode deixar o Esquadrão
No elenco do Bahia, talvez não exista uma história tão intrigante quanto a de Cauly. O meia de 30 anos, que foi contratado há exatos três anos e peça-chave na campanha que evitou o rebaixamento do Esquadrão à Série B em 2023, tem situação indefinida na equipe de Rogério Ceni e pode não atuar mais pelo Tricolor de Aço.
Entre momentos de inconsistência e episódios de bronca com a torcida, o atleta que assumiu a lendária camisa 8 de Bobô parece ter perdido a magia que conquistou o fã tricolor em sua chegada.

Cauly usa a camisa 8 do Bahia – Foto: Letícia Martins/EC Bahia
Início dos sonhos
Natural de Porto Seguro, o atleta começou sua carreira no futebol alemão em 2014. Foram cinco anos atuando pelo país até se transferir ao Ludogoretz, da Bulgária, onde ficou por mais quatro temporadas – acumulando 244 jogos na Europa, com 54 gols e 15 assistências. No dia 3 de fevereiro de 2023, foi contratado pelo Bahia por R$ 13,8 milhões, sendo o mais caro a chegar na equipe naquele ano.
No primeiro semestre, anotou seis gols (entre eles, o de empate contra o Santos, pelas oitavas da Copa do Brasil) e deu três assistências. Também, conquistou seu primeiro título pelo Tricolor: o Campeonato Baiano. Mas, o bom início do atleta não se refletiu no restante da equipe, que lutou contra a queda para a Série B.
Entretanto, a chegada do treinador Rogério Ceni potencializou seu futebol. Sob o comando do ex-goleiro, Cauly foi o principal personagem na campanha de recuperação na Série A, marcando gols nos triunfos contra Corinthians e Atlético-MG, que foram importantíssimos para o Esquadrão se segurar na elite do futebol brasileiro. Em 2023, foram 47 jogos (apenas quatro como reserva), com dez gols e nove assistências – média de 86,9 minutos em campo.

Cauly em partida contra o América-MG – Foto: Divulgação/EC Bahia
Anos seguintes
No ano seguinte, renovou seu contrato até 2028. Para além disso, Cauly viu a chegada de Everton Ribeiro, Caio Alexandre e Jean Lucas ao Bahia, assumindo um papel de meia pela esquerda. Naquele ano, foi titular absoluto, mas terminou em baixa após atuações aquém do esperado.
Mesmo assim, encerrou 2024 com nove gols e dez assistências, as mesmas 19 participações para gols do mágico ano anterior. Foram 62 partidas oficiais (55 como titular) e média de 80,2 minutos por partida.
Já em 2025, o camisa 8 teve boas atuações no primeiro semestre e foi titular em jogos importantes do Bahia, mas voltou a viver de lampejos. Além disso, a queda de produção na segunda parte do ano fez o camisa 8 perder espaço e figurar apenas no banco de reservas em algumas ocasiões. No total, foram quatro gols e seis assistências do camisa 8 em 63 jogos oficiais no ano passado (31 como titular) e média de 49,9 minutos por partida.
Cauly também viu o Esquadrão mudar a forma de jogar mais uma vez, passando a atuar com dois pontas abertos, principalmente após a chegada do atacante Erick Pulga. O meia não acompanhou a evolução, chegou a ser vaiado e ficar na bronca com a torcida ao ser substituído em partida contra o Fluminense, na Arena Fonte Nova.

Rogério Ceni conversa com Cauly após atleta responder vaias da torcida – Reprodução/Redes Sociais
Cenário atual de Cauly no Bahia
Cauly começou o ano com o elenco alternativo que disputa o Campeonato Baiano. Ele foi titular nos triunfos contra Galícia e Vitória, mas não foi relacionado desde então. Depois de vencer o Porto no último domingo (1), Ceni comentou na entrevista coletiva que ainda conta com o camisa 8, mas precisa que ele “esteja feliz e alegre”.
“Treinou mais essa semana, a gente espera um Cauly mais competitivo, que esteja feliz e alegre para jogar. Gosto muito do Cauly, vocês sabem o quanto investi de tempo nele, sempre tentando ajudá-lo. A minha torcida é para que ele fique, é um jogador importante para a gente.”
Pelo Esquadrão, Cauly tem 164 jogos, com 23 gols e 25 assistências, além de uma média de 72,3 minutos em campo.

Cauly em partida contra o Galícia – Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia









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