Os treinadores chegaram para mudar os ares do Timbu e conquistar objetivos importantes
Há um ano, Hélio dos Anjos era anunciado como o novo técnico do Náutico e chegou com uma missão importante: recuperar o time para buscar o acesso para a Série B. Velho conhecido a torcida alvirrubra, ele e Guilherme, que na época era oficialmente o auxiliar técnico, tiveram apoio da massa e conquistaram os principais objetivos do clube.
Tudo mudou no Náutico desde a chegada dos treinadores, seja dentro ou fora de campo. O espírito do elenco é outro, principalmente no poder da resiliência que foi colocado a prova no ano passado e tem continuado nesta temporada.
Hélio e Guilherme não são apenas treinadores do Náutico no momento. Eles tiveram as responsabilidades ampliadas no clube, com novas funções ligadas ao Departamento de Futebol como “integrar processos, alinhar metodologias e orientar decisões esportivas estratégicas”. A medida visou profissionalizar processos no clube, diminuir ruídos e alinhar o planejamento com a execução.
Mas para isso acontecer, e conseguir um certo apoio da torcida, os treinadores precisaram demonstrar ainda mais amor e apego ao clube, além de responsabilidade e muito trabalho. E esse projeto de colocar o Náutico como referência e no lugar que não deveria ter saído começou na fatídica noite de 15 de abril de 2025.

Foto: Gabriel França/CNC
Temporada 2025
Hélio chegou no Náutico para substituir Marquinhos Santos, que comandou o time no Campeonato Pernambucano e na Copa do Nordeste. O time não desempenhou um bom futebol e acabou sendo eliminado de forma precoce das duas competições. Na Série C, perdeu para o Itabaiana por 2 x 1 na estreia e o ambiente de pressão ficou insustentável.
Hélio foi anunciado pelo Timbu no dia 15 de abril e teve alguns dias de preparação até enfrentar o Botafogo-PB, pelo Brasileiro. O resultado foi um empate em 0 x 0. Além da Série C, o Náutico estava disputando a terceira fase da Copa do Brasil e tinha a missão de passar pelo São Paulo.
No duelo, o Timbu acabou sendo derrotado por 2 x 1, nos dois jogos, mas o desempenho no jogo de volta, nos Aflitos, chamou a atenção e empolgou o torcedor. O vislumbre de que aquele elenco poderia conquistar o acesso, ou até o título, da Série C só cresceu.
O início do trabalho de Hélio não foi de bons resultados. O time demorou para engrenar e conseguir uma boa sequência na competição. Mas pelo menos isso aconteceu no momento mais decisivo, nas últimas rodadas que definiram os clubes que iam avançar para a segunda fase. O Náutico foi o terceiro colocado, com 36 pontos, sendo 10 vitórias, 6 empates e 3 derrotas.
A segunda fase foi o momento de maior tensão para a torcida do Timbu e de maior pressão para o trabalho de Hélio. No quadrangular de acesso, o Náutico tinha 1 vitória, 2 empates e 2 derrotas na conta e foi para o último jogo dependendo dos outros resultados para assegurar a vaga na Série B.
Tanto Brusque quanto Guarani, os adversários, tinham chances de garantir a única vaga disponível do acesso, bastava apenas vencer o Náutico e a Ponte Preta, respectivamente. O Timbu estava há quatro jogos sem vencer e foi a campo nos Aflitos pressionado e com o único objetivo: vencer.
O placar foi aberto pelo Timba ainda no primeiro tempo, com Hélio Borges. O empate do Brusque veio no segundo tempo, em um gol contra de João Maistro. O jogo se encaminhava para o fim e o clube estava prestes a disputar mais uma vez a terceira divisão.
O poder da resiliência, marca deste time comandado por Hélio e Guilherme, se mostrou presente a cada tentativa do Náutico de fazer mais um. Nos acréscimos, o árbitro sinalizou pênalti, para o desespero e alegria do torcedor, Paulo Sérgio chamou a responsabilidade para si e converteu. Com a vitória por 2 x 1, o Náutico estava de volta a Série B após três anos.

Foto: Gabriel França / CNC
Temporada 2026
O Náutico inovou ao iniciar a temporada com dois treinadores, com Guilherme dos Anjos oficialmente no comando do time junto com Hélio. Com novas responsabilidades, como já citadas no texto, e objetivos, pai e filho deixaram evidentes as principais metas neste início de temporada. As principais era fazer com que o Náutico tivesse um calendário cheio e com vaga nas principais competições nacionais.
Com a boa campanha no Campeonato Pernambucano, o Timbu conseguiu conquistar as vagas para a Copa do Nordeste e Copa do Brasil 2027, o que trás ganhos em muitos setores do clube, mas o principal gira em torno do financeiro. A equipe entrou como um dos favoritos ao título do Estadual e seguiu todo o manual do “bom campeão”.
Mas acabou sendo derrotado para o maior rival, o Sport, na grande final. O time não conseguiu demonstrar a força que teve durante todo o campeonato e jogou mal. A derrota foi um grande balde de água fria e de frustração no trabalho de Hélio e Guilherme.

Foto: Rafael Vieira/Náutico
A pressão da torcida cresceu exponencialmente após a derrota para o Criciúma na estreia da Série B. O time voltou a desempenhar um futebol ruim e foi derrotado por 1 x 0, nos Aflitos. Eles não chegaram a balançar no cargo, mas o torcedor cobrou ainda mais os técnicos, sobretudo após a polêmica com Paulo Sérgio. O centroavante não foi titular na partida por questões envolvendo o empresário e uma pedida de aumento salarial. A tensão ficou ainda maior na Rosa e Silva, e mais uma vez o time foi pressionado não só pelo resultado, mas para apresentar um futebol melhor.
E novamente falarei sobre o poder de resiliência que se faz presente no time comandado por Hélio e Guilherme. O Náutico estava perdendo para o Atlético-GO no Antônio Accioly, e tendo uma atuação mediana. Após mudanças no time, o Timbu ressurgiu, conseguiu a virada em menos de cinco minutos e segurou o resultado com um a menos.
A partir de então, o time parece ter acertado o tom e virado a chave para ter boas atuações. Venceu a Ponte Preta por 1 x 0, e quebrou o jejum de oito anos como mandante contra o clube.
Outra grande marca para o Náutico, sob o comando de Hélio e Guilherme, foi de ter a maior invencibilidade como visitante entre todos os times de todas as divisões do Brasileirão. Foram 15 partidas sem saber o que é derrota fora de casa. Essa ótima sequência foi encerrada após perder para o Ceará, por 1 x 0, no Castelão. O Náutico jogou melhor, teve ótimas chances para empatar e ampliar o resultado, mas não foi feliz nas finalizações.
Fazer uma projeção sobre o que virá nos próximos meses, quiçá ano, do trabalho de Hélio e Guilherme é até injusto, considerando que tudo muda muito rápido no futebol brasileiro. Mas o desejo da torcida parece estar bem alinhado com o que os treinadores também querem para o clube. Seja conquistando o acesso para a Série A, ou chegando perto disso, o importante mesmo neste momento é colocar novamente as cores Vermelho e Branco do Náutico no topo, como grande referência, e ter mais dias de glória, e luta, na história do clube.

Foto: Rafael Vieira/Náutico
Os números de Hélio e Guilherme no Náutico
Números totais
42 jogos
22 vitórias
9 empates
11 derrotas
60 gols pró
31 gols levados
59,5% de aproveitamento
2025
27 jogos
12 vitórias
8 empates
7 derrotas
32 gols pró
18 gols levados
2026
15 jogos
10 vitórias
1 empate
4 derrotas
28 gols pró
13 gols levados










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