As conversas nos bastidores vinham acontecendo há algumas semanas
Apesar da ação movida por conselheiros e pelo ex-presidente Luciano Bivar, o Sport reafirmou, por meio de nota oficial, seu compromisso com a Futebol Forte União (FFU). O clube destacou que mantém integralmente o contrato firmado com a liga e que, na última semana, realizou reuniões consideradas ‘bastante produtivas’.
Segundo o posicionamento oficial, foi reforçado o apoio mútuo aos objetivos estabelecidos em contrato, que devem nortear eventuais melhorias contratuais e decisões conjuntas. O Sport ressaltou que as ações seguem voltadas ao fortalecimento do futebol brasileiro e, principalmente, ao crescimento institucional e esportivo do Leão.
Ação judicial questiona adesão
O debate ganhou novos contornos após o ex-presidente Luciano Bivar ingressar na Justiça com pedido de anulação da adesão rubro-negra à FFU. A ação foi protocolada no Poder Judiciário de Pernambuco e conta com o apoio de um grupo de conselheiros e sócios patrimoniais.
Ao lado de Pedro Leonardo Lacerda, Pedro Pessoa de Lacerda e Carlos Frederico Domingos, Bivar sustenta que o modelo firmado compromete estruturalmente o principal ativo econômico do clube: os direitos de arena do Campeonato Brasileiro Série A.
O modelo discutido envolve contratos de investimento celebrados entre clubes da Liga Forte Futebol e do Grupo União com a empresa Sports Media Participações S.A.. Pelo acordo, cada clube cedeu 20% dos direitos de arena por um período de 50 anos.
Para os autores da ação, essa cessão representa um ato de disposição patrimonial estrutural, e não apenas uma decisão administrativa. No entendimento apresentado no processo, os direitos de arena estão diretamente ligados à saúde financeira do clube, à montagem do elenco, à competitividade esportiva e à própria finalidade institucional da associação.
O grupo liderado por Bivar argumenta que o estatuto do Sport estabelece regras específicas para qualquer transferência ou comprometimento do patrimônio social. Segundo a ação, o procedimento exigiria deliberação da Assembleia Geral e controle do Conselho Deliberativo, etapas que, na visão dos autores, não teriam sido cumpridas conforme determina o regimento interno.
Outro ponto sensível levantado no processo envolve a autonomia política do clube no cenário do futebol nacional. De acordo com os termos contratuais, o exercício do direito de voto dos clubes em temas relacionados às regras e ao formato do Campeonato Brasileiro estaria vinculado ao modelo firmado.
Na prática, segundo a argumentação apresentada, decisões estruturais sobre o futebol brasileiro poderiam depender da anuência de um investidor privado até 2074. Para os autores da ação, essa condição comprometeria a independência institucional do Sport.
O pedido judicial busca a declaração de nulidade da adesão à FFU e a recomposição da autonomia do clube, reacendendo o debate interno sobre o modelo de liga e os rumos administrativos do Rubro-negro em um momento decisivo para o futuro do futebol nacional.











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