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Início do Paraibano, receitas, contratos: novo presidente do Campinense fala ao NE45

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Aos 32 anos, o assessor parlamentar Phelipe Cordeiro foi eleito, no último domingo, com 72% dos votos, o presidente do Campinense para a temporada 2021. Um mandato “tampão”, após a renúncia do ex-presidente Paulo Gervany e o do vice, Kléber Cabral. Diretoria da qual, por sinal, o novo mandatário rubro-negro atuou como diretor de marketing e comunicação. Porém, mesmo com o pouco tempo que terá no comando da Raposa, Phelipe Cordeiro terá duros desafios a enfrentar. A começar pela indefinição da realização ou não do Campeonato Paraibano.

Em entrevista exclusiva ao NE45, o novo presidente defendeu a realização do Estadual, mesmo sem os recursos do governo do estado, e até revelou a possibilidade da competição ser iniciada no final de março. Sobre o futebol do clube, adiantou que pretende revisar o contrato firmado com a FDA Sports, que desde o último mês de agosto é a responsável por administrar o departamento.

Phelipe Cordeiro comentou ainda sobre a investigação movida pelo Governo da Paraíba com relação às denúncias de fraudes cometidas pelos clubes no antigo programa Gol de Placa, em que o Campinense seria um dos maiores envolvidos, da busca por recursos para montagem do novo elenco raposeiro e já antecipou a intenção de concorrer à reeleição ao final do próximo ano.

Confira a entrevista na íntegra: 

Você assume o Campinense em meio ao impasse sobre a realização ou não do Campeonato Paraibano, uma vez que a maioria dos clubes alega que, sem o dinheiro do governo do estado, seria inviável participar da competição. Qual o seu posicionamento?

Enxergo essa situação com muita preocupação. Acho que não é viável cancelar o campeonato. Temos que buscar uma maneira de dialogar com o governo do estado para que esse impasse sobre os recursos do programa de incentivo ao esporte na Paraíba seja sanado. (O não repasse se deve se deve a uma investigação, solicitada pelo próprio Governo da Paraíba, em 2019, para apurar desvio de recursos públicos originados do programa Gol de Placa, antecessor do atual Paraíba Esporte Total. Um prejuízo, segundo a própria secretaria da Fazenda de R$ 11 milhões. Só o Campinense estaria devendo cerca de R$ 2 milhões aos cofres públicos). Entramos em contato com a secretaria de esportes pedindo um plano de execução do ano de 2020 para que a gente possa se tornar apto a receber esses recursos em 2021. A gente tem que entender que existem dois programas. O de 2019 (Gol de Placa) que é quando há esse imbróglio envolvendo os clubes e o governo e o novo programa, de 2020, que é o Paraíba Esporte Total. Esperamos encontrar uma solução para esse impasse e que tanto os clubes quanto o governo do estado sejam contemplados. Mas se infelizmente não tivermos essa garantia, vamos ter que fazer o campeonato de toda forma. Até porque se não for realizado, vamos ter várias consequências. Várias competições dependem da classificação pelo estadual.

O Campinense vai procurar o estado para fazer o acordo de leniência com relação às investigações de fraude no programa Paraíba Esporte Total?

Eu ainda não tive acesso ao processo de que o Campinense está sendo acusado. O departamento jurídico do clube está preparando um parecer para nos apresentar. Mas essa decisão vai ser levada para o Conselho Deliberativo, até porque é algo que foi feito antes da nossa gestão. É o Conselho que vai ter que atuar e ver se a gente vai aceitar esse acordo de leniência ou não.

Você acha que o Campeonato pode sair mesmo sem o recurso do governo?

Acho que existe uma possibilidade muito boa. Os clubes estão se movimentando, inclusive para apresentar um ofício à Federação solicitando que ela realize na próxima semana um conselho arbitral para que a gente possa começar o campeonato no finalzinho de março ou comecinho de abril.

Seria um campeonato mais curto?

Não. A projeção que os clubes estão discutindo é para um campeonato de 18 datas. 

Phelipe Cordeiro adiantou que o Paraibano 2021 pode começar no fim de março

Como será a montagem do elenco do Campinense para 2021 já que o clube conta com pouquíssimos recursos?

Nós temos um impasse a resolver com relação a empresa que geria o futebol do clube (FDA Sports) em uma parceria que foi implementada pelo ex-presidente do clube nesse ano de 2020 (contrato foi assinado em agosto). Depois disso é que nós poderemos vislumbrar como será a montagem do elenco. Em paralelo, estamos em negociações com dois técnicos e alguns jogadores e estamos buscando maneiras viáveis para montar um elenco competitivo. 

Como vocês pensam em resolver esse impasse com a FDA Sports? Seria um rompimento do contrato?

Na verdade, temos que buscar uma solução porque houve o desejo deles de deixarem o clube, mas depois eles voltaram atrás dizendo que queriam continuar. Existe um contrato vigente e a gente precisa sentar, discutir e ver alguns pontos que estão em abertos para que tenha uma solução em breve. 

Mas você defende que a empresa siga administrando o futebol do clube?

Como esse é um contrato que vem de outra gestão, essa decisão vai passar pelo crivo do Conselho Deliberativo, em uma decisão colegiada.

Mas qual a sua opinião pessoal sobre esse assunto?

Eu tenho que conhecer o contrato para saber quais as obrigações do clube e quais as obrigações da empresa para formar uma opinião. Vou tentar ler esse contrato neste final de semana para omitir uma opinião sobre se a empresa deve continuar no clube ou não.

Dentro desse cenário ainda é prematuro falar em valor da folha salarial do elenco. Mas vocês têm definido ao menos um teto?

Não. Mas será uma folha enxuta, e que tenhamos o compromisso de cumprir. Que a gente possa honrar os acordos judiciais do clube, mas que possamos montar um time competitivo e honrar com os salários dos jogadores.

Uma das alternativas seria parceria com outros clubes?

Com certeza. Inclusive é uma saída muito viável que estamos apresentando aos nossos pares da diretoria em busca de parceria com outros clubes do Brasil para empréstimo de atletas. 

Sem a certeza da volta de público em 2021, com a indefinição do Campeonato Paraibano e com o Campinense fora da Copa do Nordeste, de onde a sua diretoria vai tirar recursos para a montagem de um elenco forte?

Estamos buscando a unificação dos processos que existem contra o Campinense em todo o Brasil para um acordo vigente aqui na Paraíba para que a gente consiga o desbloqueio de cotas e rendas. Vamos apresentar uma proposta para que a justiça retenha uma parte das cotas e a outra venha para o clube para continuar em atividade. O segundo plano é vender a marca do Campinense, que precisa ser melhor explorada com patrocínios e novas ações de marketing. E o mesmo caminho que outros clubes já seguiram. E outra linha é fortalecer a questão da base. Também vamos implantar a escolinha de futebol do clube que também vai gerar uma nova receita.

Você foi eleito para um mandato de apenas um ano. A sua intenção é concluir só 2021 à frente do clube ou você tem um projeto a longo prazo para o Campinense? 

O meu projeto é de dar viabilidade ao clube. Se eu conseguir implantar essas ações administrativas que estamos buscando e conseguir tocar o futebol com um time competitivo, com certeza iremos buscar uma reeleição para dar ainda mais viabilidade ao projeto. Mas entendemos que se houver um nome mais preparado e que tenha possibilidade de gerir com mais capacitação o clube não há problema nenhum em sentar, conversar e entrar em um acordo. Até porque nós sempre vamos querer o melhor para o Campinense, independentemente de quem esteja sentado na cadeira de presidente.

Fotos:  Ascom/Campinense

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