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Sabatina: NE45 ouve Roberto Freire, candidato à presidência do Santa

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Nesta quinta-feira (11), o Santa Cruz viverá a sua primeira eleição da década, quando os sócios votantes vão até o Arruda para decidir o futuro do clube no próximo triênio 2021-2023. Um pleito que se desenha como um dos mais disputados dos últimos anos, e que será fundamental para ditar o rumo do futuro do clube a curto/médio prazo.

E a equipe do NE45 entrou em contato com os três candidatos à presidência do Santa Cruz. Nesta matéria, seguem os principais posicionamentos de Roberto Freire, candidato de situação pela chapa ‘Tradição de vitórias, crescimento e união’, sobre os sete pontos que foram abordados na sabatina – iguais para os três candidatos: futebol, finanças, patrimônio (CT, Arruda), arrecadação além dos jogos, sócios, reforma do estatuto e relação com as demais chapas pós eleição.

NE45 – Começando com a lista de prioridades do elenco, manutenção ou não da comissão técnica do Martelotte e da diretoria executiva. Além disso, o uso da base no profissional e o que vocês pensam do futebol para os próximos três anos?

RF – No nosso planejamento para o futebol nós temos um fator limitante que é o orçamento. Nós já definimos o orçamento e ele vai guiar a construção da equipe que estará à frente do futebol do Santa. Se perguntar se eu quero que Marcelo (Martelotte) fique, que Nei (Pandolfo, executivo) fique, eu digo o seguinte: a estrutura do futebol terá o diretor contratado, executivo de futebol, e terá o apoio de fiscalização, acompanhamento e colaboração de dois diretores estatutários – que é a estrutura não remunerada – que serão Osmundo Bezerra e Rogério Guedes. Eu quero que Marcelo e Nei fiquem, mas isso vai depender do valor que temos destinado ao orçamento. Já houve conversa com Nei e Marcelo, mas precisa encontrar esse equilíbrio.

Temos uma pesquisa feita com sócios do Santa Cruz e um dos principais desejos do torcedor é que a gente tenha a responsabilidade fiscal. Esse vai ser um dos pilares que vai nortear o nosso projeto. Nei é um executivo de envergadura, Marcelo conhece a história do clube, foi jogador e passou aqui três a quatro vezes como técnico, tem identificação e conhece a estrutura de funcionamento do Santa. Para a gente seria excelente que eles ficassem, mas o orçamento é limitante. As negociações estão em andamento.

Com relação à base, a gente fez nesses três anos de gestão, adotamos no projeto um modelo de integração. Do sub-17 pra frente, sub-20, sub-23, os atletas que são avaliados como promissores já subiram para o departamento de futebol profissional. Por quê? Porque a gente ainda não tem uma estrutura da base de formação dos atletas na base e no de futebol profissional a gente tem. Temos uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão, que é o Centro de Inteligência no Futebol, que é o banco de dados com vários programas, com inteligência artificial, administrado com ciência de dados, e em função desses números avalia os atletas. É mais uma ferramenta para diminuir a possibilidade de erro na escolha das equipes. A proposta para a base é construir essa estrutura de formação de atletas dentro da base também.

NE45 – A reforma do estatuto do clube é um dos pontos que os torcedores se queixam há um bom tempo nas redes sociais e acredito que você acompanha esse movimento. Como você planeja esse ponto, se pretende fazer a reforma ou em outro modelo?

RF – Como eu disse, a gente tem uma pesquisa e essa reforma do estatuto é o principal desejo do torcedor. O presidente do Santa é o representante dos torcedores. Ele não tem vontade própria. A vontade dele é a dos torcedores. Independentemente do que eu penso ou não da reforma, ela é uma ferramenta importante do auxilio à gestão, mas quem vai nortear o clube é a gestão. Mas é um desejo principal da torcida do Santa. Será feita, independentemente da minha vontade ou não.

Temos que considerar que essa reforma é obrigatória. O sistema de licenciamento da CBF, do qual a gente fez questão de pedir para participar lá em 2018, e hoje estamos com a Licença A, prevê que para adotar o sistema de gestão empresarial tem que reformar o estatuto do clube e atender aos requisitos. É todo um conjunto de fatores que não tem como não fazer. Existe uma obrigatoriedade e um desejo da torcida que seja feita. Como eu não vou fazer? Será feita. Não tenha nenhuma dúvida disso.

NE45 – Sobre os sócios, o clube lançou recentemente uma nova campanha, em parceria com a FutebolCard. Algumas mudanças, principalmente relacionadas aos sócios que têm dependentes, geraram desconforto em parte da torcida. O que você tem de planejamento para essa campanha? Pensa em realizar uma nova ou mudar alguns pontos dela, como possibilidade de anistia por exemplo, para os sócios que deixaram de pagar as mensalidades na pandemia?

RF – A contratação da FutebolCard levou seis meses. Entre discussões e parágrafos de contratos, foi uma discussão tremenda. Para chegar nesse projeto, foi feito todo um estudo, pesquisa… A FutebolCard não trabalha só com o Santa, tem uma carteira de clubes da América do Sul, no Brasil representa o sócio torcedor do PSG, é dela. Eles têm uma expertise gigante nisso. Aqui, Náutico e Sport são feitos pela FutebolCard, e eu fiz questão de conversar com o pessoal do Náutico e do Sport, e todos estão satisfeitos com o trabalho deles.

O Náutico, em relação ao número de torcedores, tem uma torcida menor que a do Santa Cruz, e o Náutico hoje tem um número de sócios em dia dez vezes mais que o Santa Cruz tem. O Sport é a mesma coisa. Os outros clubes que têm o programa de sócios, os caras são profissionais, têm uma expertise. Vai vir com uma tecnologia associada ao programa de sócios, vai vir um banco junto, o torcedor sócio do Santa vai poder optar de ser sócio do Santa Bank, que opera como operam os bancos digitais, vem com um pacote completo de benefícios e ações que vão ser tomadas nos próximos meses.

É muito recente. A FutebolCard assumiu o programa de sócios em janeiro e está tratando a base de dados, o filtro, traçando os perfis dos sócios do Santa. Vão ter campanhas específicas. Tem muita engenharia de dados e tenho certeza que será um projeto de grande sucesso.

NE45 – Para deixar claro, será mantido o projeto independentemente das mudanças estatutárias?

RF – Quando o estatuto for votado, e se houver modificações, as adaptações serão feitas no planos de sócios. Tem ferramentas disponíveis para isso. Qualquer alteração que será feita, o projeto é uma diretriz e durante essa caminhada do projeto, se identificar que é preciso fazer alterações para a melhoria, precisa ser feito.

Existe uma ferramenta de gestão que é o ciclo PDCA: planejar, executar, avaliar/analisar e melhorar. Essa ferramenta é a ferramenta base de todos os projetos. Você planeja, executa, avalia se está certo e se precisa fazer uma adaptação e melhorar. É um ciclo virtuoso que você estará sempre fazendo isso. Então essas modificações que necessitarem ser feitas, os programas de análise oferecerão pra gente as informações e as ferramentas para a melhoria.

NE45 – No final do ano passado, a Sports Value fez um estudo – a partir de uma análise de potencial econômico de cada clube – e ranqueou os 30 clubes mais valiosos do Brasil. E, no G7 do Nordeste, o Santa Cruz ficou em terceiro (atrás do Bahia, em primeiro, e Sport, em segundo), mas desbancou Ceará e Fortaleza, equipes que estão na Série A – justamente pelo diferencial do Arruda, e do patrimônio de torcida, da marca imaterial.

Mas aí, trazendo para a frieza da realidade focada no estádio, é visível que o Arruda, o maior patrimônio do Santa Cruz, é deixado à mercê – apesar da reforma no estádio ter sido feita e ter dado uma nova repaginada no estádio -, assim como as demais dependências do estádio. O que vai ser feito além para revitalizar as áreas que envolvem o complexo do Arruda? E o CT?

RF – Fazendo uma correção à abordagem de que o patrimônio estaria abandonado. Eu sou dirigente formado na Comissão Patrimonial. A Comissão Patrimonial do Santa hoje tem um projeto que começou em 2015, um projeto de readequação do estádio. Montamos uma equipe de profissionais de engenharia e arquitetura, e que pensaram toda a readequação do estádio. O que vocês precisam compreender é que obra exige um processo legal a cumprir antes de executar. O primeiro plano foi fazer um estudo do que era preciso fazer necessário, para adequar o estádio às exigências do licenciamento da CBF. A partir daí a gente começou um estudo, as exigências de acessibilidade, Corpo de Bombeiros, parte elétrica, civil, mecânica, e isso para ser executado depende de projetos. Eles têm um tempo de elaboração, depois tem que encaminhar aos órgãos que legalizam o projeto, e para ter uma ideia, o projeto de acessibilidade foi dado entrada na prefeitura em julho de 2015. Estamos em 2020 e ainda não saiu a aprovação. Existe milhares e milhares de projetos na Secretaria de Obras da prefeitura, e esses projetos obedecem a uma avaliação, uma analise de complexidade.

Todo mundo fica falando da fachada que não foi feita. Para ser feita, tem que ser feita uma recuperação da estrutura, você vai colocar uma carga adicional e precisa fazer um trabalho da recuperação da estrutura, um reforço, e tudo demanda projeto, aprovação dos órgãos, tudo caminhando dentro desse processo legal que tem que cumprir. Quem não está na engenharia e não conhece, aí comenta sem saber. Um prédio que você vê iniciar do lado da sua casa do dia para o outro, isso aconteceu depois de cinco a seis anos depois do projeto apresentado, estudo de solo, aprovação… leva em média cinco anos para ser apresentado. Essa conversa de dizer que amanhã vai iniciar a fachada, não vai. Existe um projeto pronto e encaminhado.

Todo o estádio está pensado. A Comissão Patrimonial é composta por profissionais de mercado da construção civil. São seis engenheiros, um calculista e três arquitetos, é uma equipe de notáveis. Um grupo de pessoas que conhecem o segmento e sabem o que estão fazendo. O Arruda não está abandonado. O Arruda está carecendo de manutenção. E aí a gente vai para outro problema, que é o modelo de receita da Patrimonial. Ela vive da regularização de cadeiras e de ingresso de venda de cadeiras em jogos. Quantos jogos teve no Arruda esse ano? Não teve faturamento. Tudo isso é pensado, está visto, a execução é complicada porque ela depende de ter recursos para investimentos. Nesse ano, com esse projeto da FutebolCard, que em três anos vai aportar em média R$ 50 milhões, tem um valor que vai ser destinado à recuperação do estádio. E não vai ser feito da noite para o dia, mas dentro da capacidade financeira e da aprovação dos projetos para a execução da obra.

O CT tem um projeto pronto, mas a principal necessidade do Santa hoje é campo para treinar. A gente não ia começar a obra por hotel. Tem que começar a obra fazendo investimento nos campos, ferramenta principal para os atletas treinarem. Cada campo que você vê lá, custa em média, pronto, funcionando, R$ 1,2 milhão. Tudo isso demanda recursos. O terceiro campo vamos iniciar em breve, em acordo com a empresa que cuida do gramado do Arruda, e possivelmente com uma parceria que vamos assinar nos próximos dias, vão lá construir o terceiro campo. Tudo dentro das normas técnicas. Dois campos de dimensões oficiais, ter um campo menor de treinamento que os treinadores exigem muito isso de campo reduzido. Então a infraestrutura o projeto está pensado, e está disponibilizada em acordo com a capacidade financeira de execução, mas vai ser concluído e o CT vai ficar top de linha.

NE45 – Em agosto de 2020 o Santa Cruz divulgou um balanço financeiro revisto, uma vez que ainda faltava a análise dos balanços referentes aos anos de 2017 e 2018. No total, a dívida do Santa Cruz é de R$ 172 milhões. Qual vai ser o planejamento de vocês para diminuir a dívida? De onde vão tirar/captar receitas para reduzir o débito?

RF – De novo, vamos lá, um assunto muito técnico. O que você chama de balanço revisto, nós chamamos de republicação. Identificamos que havia erros de interpretação nos balanços anteriores. Contratamos uma consultoria de análise de balanço, uma consultoria para fazer a auditoria, e uma consultoria para interpretar os processos de análises dos balanços. Nesses dias, vamos começar a publicar os resultados das análises e dos pareceres das auditorias. Estamos num processo de reconstrução das informações que constavam no balanço do clube. Para se ter uma ideia, o estádio do Arruda não estava presente no ativo do Santa. Para inserir, tivemos que contratar uma empresa especializada em avaliação de patrimônio imobiliário. A empresa fez um laudo, e nesse relatório uma avaliação do quanto valia o estádio.

O Santa também não tinha nesse balanço o ativo intangível, o que não consegue mensurar, mas sabe que existe. Quanto custa a marca Santa Cruz? Quanto vale a marca do Santa? Tem que buscar empresas especializadas, todas do Brasil. Empresas que as avaliações deles o mercado confie e valide. Fomos atrás dessas empresas e isso está sendo construído, mas não se constrói da noite para o dia. Tem um tempo.

A dívida de R$ 172 milhões no balanço é o que conseguimos apurar até agora. É possível que no decorrer dessas pesquisas de análises e no trabalho das empresas que contratamos possa haver avaliação, que aumente um pouco ou diminua. Não sabemos se vai aumentar ou diminuir.

Mas a dívida do Santa Cruz não é uma coisa que nos preocupa. Em função da capacidade de gerar recursos dele, ela é pequena. Dessa dívida, R$ 100 milhões é de passivos trabalhistas, os outros é de passivo tributário e cível. Trabalhamos para alongar o perfil da dívida e dentro desse alongamento estabelecer os valores que você possa amortizar anualmente, para não só a diminuição, mas no máximo em cinco anos será paga, concluída. Daqui a cinco anos, o Santa Cruz não vai mais dever.

NE45 – Qual a projeção para captação de recursos além dos jogos, já que o retorno ao futebol com público ainda não tem previsão para acontecer?

RF – Esse é um desafio que não é do Santa. É de todos os clubes do mundo. É um desafio mundial, do mercado do futebol. É ai onde você vai mostrar se tem capacidade de gerir e encontrar soluções ou não. Temos vários projetos encaminhados, mas é informação estratégica. Temos dois ou três projetos encaminhados, dependendo de pequenos ajustes de informações, mas essas negociações que vêm rolando há um tempo, há dois anos, de meio de 2019 para cá, dois grandes projetos com possiblidades claras de ser viabilizados, e falta muito pouca coisa. É isso que vai transformar.

O Santa precisa fazer com que as informações de negócio dele, do produto Santa Cruz, sejam confiáveis. A partir desse instante, quando faz isso, atrai grandes players do mercado de futebol pra vitrine do mercado do futebol. É isso que estamos fazendo, dando uma arrumada na forma de apresentar o produto Santa Cruz, pra que na vitrine os players consigam olhar e dizer ‘aqui vamos conseguir fazer negócio’. Não posso entrar em muitos detalhes, porque isso é um assunto estratégico.

NE45 – Como vai ser a relação da sua chapa, caso vença as eleições, com a oposição. No debate da Rádio Jornal, você chegou a convidar o Joaquim Bezerra a participar da gestão. Então, como seria essa relação?

RF – Primeiro que, quando acabar as eleições, tem que desarmar o palanque. É a plataforma número um, o desafio número um para ter o Santa Cruz de volta a esse mercado, a vitrine dos grandes players. Acabar com essa disputa que só faz denegrir, que é esse conflito de gerações. Vou trabalhar com o clube aberto, não tem nenhuma dificuldade. Todas as pessoas que tiverem as condições, e aí é meritocracia, de contribuir com o projeto do Santa, estarão inseridas no projeto.

Você mencionou que fiz o convite a Joaquim, na verdade nós estamos dentro do mercado, e estamos no grande mercado corporativo empresarial. Eu sou empresário e ele executivo de um grande grupo educacional daqui. Os aspectos são iguais a todo mundo. Se eu aplicar as minhas técnicas de gestão e Joaquim aplicar as técnicas e conhecimento de gestão, a gente vai conseguir os objetivos. O que vai diferenciar é no estratégico, o que você pensa estrategicamente. E aí, estrategicamente, nós temos pequenas diferenças de conduta, mas são pequenas mesmo. Mas esqueça esse negócio de oposição quando eu ganhar as eleições. Vamos trabalhar pra que esse ambiente político do Santa deixe de ser político e passe a ser técnico. O Santa só sai da situação em que ele está com uma gestão técnica, e não é com uma gestão política.

NE45 – Para finalizar, as suas considerações finais. Algo que seja relevante apontar além do que foi perguntado?

RF – Eu vou aproveitar pra convidar o sócio a votar. Todos os protocolos de segurança vão ser aplicados lá, é muito rígido, o projeto de segurança de votação garante que as pessoas que vão votar não vão se expor. Então, quero convidar os sócios a se regularizar, a ir lá votar, porque quanto maior for o número de sócios que estiver votando, mais legitimidade terá o gestor vai administrar. Então, meu recado final é que vá votar. Vai ter segurança, vai ser tudo muito tranquilo.

Ouça a sabatina completa com Roberto Freire

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