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ColunistasFred Figueiroa

Estaduais: Clubes acorrentados e a falácia do romantismo

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A perda de importância e interesse gradual dos Estaduais tende a passar por uma aceleração nesta temporada de calendário esmagado – inclusive com parte deles começando antes mesmo do fim da temporada 2020. É um caminho sem volta. Um processo antigo e irreversível. Parte natural da evolução e profissionalização do esporte. E, já há muito anos, não faz o menor sentido ir na contramão. Nem mesmo alimentar qualquer tipo de saudosismo, romantismo ou simbolismo. Não é como um uniforme dos anos 1980, um disco de vinil, um móvel que passa de geração em geração ou um videogame antigo.

O clichê do “charme dos estaduais” faz cada vez menos sentido. 

Faz cada vez mais mal. 

Não podemos colocar adornos para maquiar a realidade. Os Estaduais do Nordeste são competições extremamente deficitárias, com cotas de televisionamento inaceitáveis para a realidade econômica do futebol nacional e que não servem de parâmetro ou preparação do time principal para o Brasileiro – seja qual for a divisão.

O Salgueiro, “histórico” campeão pernambucano de 2020, fracassou na Série D. 

A única sustentação dos estaduais está nas conexões de classificação para outras competições. Uma espécie de protecionismo estrutural mantido pelas federações estaduais que tornam os clubes reféns. Pernambuco vive isso de forma mais clara a partir de 2021. Ultrapassado pelo Ceará no ranking das federações, o estado perdeu uma das três vagas na Copa do Nordeste. Assim, neste e nos próximos anos (afinal não há qualquer sinal de recuperar a posição no ranking da CBF a médio prazo) ou Náutico ou Santa Cruz (ou até mesmo os dois) ficará fora do regional. 

Para conseguir jogar a Copa do Nordeste de 2022, o Santa Cruz precisa ser campeão pernambucano. O Náutico, melhor colocado no ranking, pode conseguir a vaga com o próprio título ou se a taça ficar com o Sport. Já em um cenário como o de 2020, onde o campeão foi um clube do interior, ambos ficariam fora do regional. O posicionamento ruim de Náutico e Santa Cruz no ranking de clubes da CBF também os obriga a garantir vaga na Copa do Brasil via estadual. Algo que o alvirrubro, por exemplo, não conseguiu nesta temporada.Reféns. Sem escolha, resta aos dois clubes absorver os prejuízos de uma competição deficitária. O mesmo vale para outras equipes tradicionais da região, acorrentadas à estrutura de competições que mantém o elo dos estaduais.

Restam, então, apenas cinco clubes “livres”. Bahia, Ceará, Fortaleza, Sport e Vitória têm o direito de escolha e precisam, de uma vez por todas, romper qualquer fio retórico de tradição ou outras frases feitas para adornar os estaduais. Para este quinteto, é fundamental definir estratégias do seu interesse. E não o oposto. Para o Bahia, a construção de um elenco de transição “independente” já começou a render frutos. Seja com a valorização de jogadores para negociação ou mesmo utilização no time principal. Para o Vitória, nesta temporada, a escolha foi utilizar o Campeonato Baiano para dar mais rodagem à sua jovem equipe principal. Caminhos opostos, mas que partem da mesma lógica básica: Impor o interesse do clube ao estadual. Nunca o contrário.

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