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Leia sabatina com Eduardo Carvalho, candidato à presidência do Sport

Presidenciável falou sobre futebol, dívidas, transparência e mais; confira

Foto: Divulgação

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A eleição do Sport, enfim, está confirmada. Após três adiamentos, os sócios do clube definem o novo presidente para o próximo biênio, nesta sexta-feira, na Ilha do Retiro, no formato drive-thru, das 8h às 17h. Desta forma, o NE45 entrevistou os quatro candidatos do clube e nesta matéria traz a sabatina realizada com o oposicionista Eduardo Carvalho, da chapa Uma Razão Para Viver.

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Eduardo é advogado e já passou por gestões anteriores do Sport, inclusive ao lado de Milton Bivar, entre 2007 e 2010, como vice-presidente jurídico. Além disso, ocupou a vice-presidência financeiro-administrativa entre 2013 e 2016.

Na entrevista à reportagem, defendeu uma maior transparência por parte do clube, revelou uma proposta para reforma e ampliação do uso da Ilha do Retiro, além de ter adotado um discurso firme contrário à facção ‘Jovem’. Fora isso, claro, apresentou as ideias sobre futebol, como reestruturação e força na base, e outros temas importantes do Sport. Confira abaixo.

Entrevista de Eduardo Carvalho

Planejamento para o futebol

“Toda vez que eu falar do futebol, entenda masculino e feminino. O futebol na nossa gestão não terá distinção em termos de carinho e dedicação para o masculino ou feminino. Evidentemente que o futebol masculino hoje é o carro chefe, mas nem por isso terei menos atenção ao feminino. Vamos acabar com esse negócio do futebol virar local de assembleia porque temos diretores que levam filhos, amigos. Vestiário de futebol não é para isso, nem antes nem depois do jogo. Teremos uma comissão técnica que vai cuidar do futebol do Sport, será feita por um superintendente geral do futebol e um gerente geral (Executivo) de futebol. Teremos também o técnico do time profissional e isso vai se replicar também ao feminino. Essas comissões serão responsáveis pelo acompanhamentos também da base. Evidentemente que a base terá os seus técnicos, mas essa comissão técnica de futebol, o superintendente, o gerente e o técnico do profissional estarão diretamente vinculados à base para sabermos quais os jogadores de base que merecem nossa atenção para os atletas não serem queimados. Estamos acertado com a maior autoridade do centro de treinamento de base, chama-se o professor Antônio Carlos, membro do comitê olímpico brasileiro que implementou a base do Athletico Paranaense. Este profissional virá para o Sport para que façamos uma reestruturação”.

Certo, mas em relação ao elenco, o perfil que o Sport pensa em montar. Como será?

“Tenho conversado com a minha comissão técnica, temos naturalmente jogadores em vista. Temos jogadores listados, que entendemos que devem ser observados e, claro, no decorrer da competição iremos tentar afinar melhor essas contratações. Mas vamos privilegiar em 2021 o que pudermos da base. Peço que a torcida nos apoie porque ou será assim ou o Sport fecha”.

Jogadores mais caros, ou ‘’medalhões’’. Como você avalia a possibilidade?

“Nossa gestão não pensa em medalhão, pensamos em aproveitar o que puder da base, vamos investir na base porque é a nossa principal joia. Nossa missão em 2021 vai ser a permanência e tenho certeza que faremos muito melhor do que foi feito agora. Medalhão não passa pela nossa cabeça, não precisamos disso. Isso é feito para o imaginário da torcida, não existe. Vamos fazer o que for de mais profissional no Sport. O pessoal que vai vir terá o compromisso de passar dois anos. Começo, meio e fim. Não trarei um técnico ou uma comissão para passar 15 ou 30 dias e colocar para fora”.

Eduardo, em relação aos esportes olímpicos e futebol feminino, como você planeja? Pode-se esperar mais investimentos?

“Somente a nossa campanha, desde 2018, contempla os esportes olímpicos e amadores, e o nosso programa tem um capítulo dedicado a isso. Vamos profissionalizar os esportes olímpicos e amadores, acertamos a contratação de Paulo Cabral que será o nosso superintendente geral. Diferentemente do que dizem, vamos mostrar que o nosso berço, que o berço da nação rubro-negra, não é escoador de dinheiro, não. Vamos profissionalizar todos os esportes, contratando técnicos de primeira linha. Todos os esportes apresentarão os respectivos projetos para termos financiamentos públicos e privados. Vamos fazer isso, está pronto o projeto, vamos fazer com que o Sport volte a ser uma potência nos esportes como sempre foi. O futebol feminino não está nesse lado de esporte olímpico e amador, vai ter o mesmo (tratamento) do futebol, vai fazer parte do futebol no CT, ter a mesma integração que estabelecemos ao futebol masculino”.

O Sport, sabe-se, é um time com muitas dívidas. Como você planeja viabilizar o pagamento delas?

“A primeira coisa que iremos fazer para sanear as contas é a realização inédita de uma perícia financeira dentro da Ilha do Retiro. Vamos saber quanto nós temos, quanto devemos, a quem devemos, e vamos negociar com todos os credores mostrando a eles de que forma podemos pagar de modo que a gente possa resolver essa questão, que é ter um oficial de justiça querendo bloquear as finanças do Sport. É uma administração caduca, que o presidente se afastou covardemente e abandonou o navio rubro-negro e expôs, inclusive, rubro-negros de muita tradição. Disse que iria apoiar a candidatura de Fred (Domingos), de Bruno (Reis) e deu um chega para lá. Então é preciso que a torcida preste atenção no caráter das pessoas. Vamos fazer a perícia, pegar o resultado e encaminhar aos sócios para saberem qual a situação do Sport. Iremos profissionalizar a Ilha, não podemos ter, tocando as finanças, uma pessoa que somente manda pagar. Precisamos ter uma pessoa de gabarito, que possa fazer toda estrutura financeira. É a profissionalização, a transparência. Todos os sócios saberão do resultado dessa perícia”.

Ao mesmo tempo, Eduardo, como você pretende levantar receitas, principalmente numa época de pandemia?

“Claro que temos que alavancar as receitas. Para isso, temos acertado conosco a contratação de Jorge Avancini, um dos maiores expoentes de marketing esportivo no Brasil, que virá para melhorar o nosso comercial e o marketing. Vamos valorizar a marca para que o Sport tenha um presidente que não se esconda dos credores”.

Em relação à uma campanha de sócios, o que o Sport pretende? Algo que o senhor poderia adiantar?

“Ele, quem colocou 130 mil sócios do Internacional em dia. O grande case de sócios tem a autoria de Jorge Avancini. Só posso pensar em apresentar algo a um sócio se eu tiver o que ofertar. Tenho que ter estádio limpo, com banheiros limpos, um estádio acessível, sustentável, para ser contemporâneo”.

Certo, o senhor acabou entrando no próximo assunto que eu iria abordar. Em relação ao patrimônio do Sport, o senhor enxerga a Ilha do Retiro como uma possível fonte de renda, haja vista as dificuldades financeiras do clube? Além disso, o que o senhor pensa do estádio?

“Quem pretende comercializar a Ilha é Gustavo Dubeux. Não iremos nos desfazer do patrimônio do Sport, temos um projeto que é chamado Ilha Inteligente: é o aproveitamento de toda a Ilha do Retiro, vamos fazer com que a Ilha tenha um corredor de serviços prestados aos sócios, (como) sacar dinheiro, pagar energia, enfim, tudo o que as pessoas fazer. (Teremos) Uma série de lojas para prestar serviços aos sócios, vamos dispor aos sócios áreas que eles possam fazer reuniões executivas, de estudos. Vamos fazer, através da vice-presidência cultural, para que a Ilha possa ter um espaço cultural. Teremos oficinas de artes plásticas, literatura, música. A Ilha Inteligente vai se tornar um pequeno ou médio shopping center, queremos que o rubro-negro faça tudo na Ilha do Retiro. Evidentemente que o nosso estádio passará por uma reforma contundente, tem que se fazer isso. Temos de nos preocupar com a acessibilidade aos rubro-negros, vamos garantir além disso que as pessoas possam ir aos banheiros da Ilha. Eu posso dizer porque quando fui vice administrativo-financeiro, todos os banheiros estavam preparados para receber a todos”.

O Sport tem, hoje, finalizado no Conselho Deliberativo, um texto para reforma do estatuto, bastando apenas a convocação da Assembleia Geral. Como o senhor avalia essa questão? Pretende convocar de imediato?

“Eu vou aguardar que o novo presidente do Conselho, que é um advogado de primeira linha, Antônio Mário Júnior, que ele examine com o novo Conselho e, se eles entenderem que essa proposta possa ser levada a uma Assembleia Geral… sou um democrata, não faço parte dessa turma que está administrando o Sport. Será um Conselho de autonomia porque infelizmente a maioria que o compõe hoje tem se mostrado absolutamente subserviente”.

Eduardo, em relação à transparência, como o senhor pretende trabalhar essa questão?

“Os sócios vão receber um boletim mensal de forma a acompanhar todas as movimentações. Vamos fazer um verdadeiro portal de transparência e a torcida do Sport vai acompanhar o que acontece na Ilha do Retiro e com a administração. Claro que determinadas informações do Sport serão prestadas apenas aos sócios que estiverem em dia, por uma questão óbvia. Mas tudo o mais será informado. Quem é o dono do dinheiro do Sport? Sou eu? Não, são os sócios”.

Eduardo, qual a sua avaliação sobre as torcidas organizadas?

“Vamos colocar para fora a Torcida Jovem. Não posso chamar os torcedores e as torcedoras para passar o dia na Ilha e eles com receio de se encontrar com alguém dessa torcida tomando café ou chopp na Ilha, em um banheiro, em uma sauna. Eles sabem que não terão espaço com o Movimento Uma Razão Para Viver e por isso eles não vão votar na gente. Eu não tenho nada contra torcidas organizadas. Nada. Muito pelo contrário. Agora, eu tenho todas as observações, críticas, a um grupo de meliantes que se autodenominam organizados. Tenho tudo contra esse aglomerado que foi denominado pelo MP como associação criminosa. As verdadeiras torcidas organizadas serão bem recebidas. Treme-terra, Bafo do Leão… agora, o que não é torcida organizada não será”.

Considerações finais, pode ficar à vontade para falar abertamente.

“Meu recado é o seguinte: quero fazer um pedido ao todo sócio e sócia do Sport. Um pedido em homenagem ao Sport. Ou as sócias e os sócios do Sport fazem um sacrifício em homenagem ao clube e comparecem em massa para votar na mudança ou o próximo presidente do Sport novamente será um presidente eleito e comprometido com a Torcida Jovem. Essa é a questão que tem que ser colocada em foco. Ou as sócios e os sócios comparecem em massa para votar no Movimento Uma Razão para Viver ou o velho voto do cabresto vai fazer com que essa dinastia que ora é Dubeux, ora é Bivar, ora é alguém de Dubeux ou Bivar, permaneça comandando o futuro do Sport. Isso tem que acabar, não está fazendo bem ao Sport. Portanto, meu pedido é que os sócios independentes do Sport compareçam e definam essa eleição por uma coisa nova, profissional e transparente. Esse é o meu apelo”.

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