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Leia entrevista com Nelo Campos, candidato à presidência do Sport

Presidenciável falou sobre planejamento, dívidas, estatuto, transparência e mais

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A eleição do Sport, enfim, está confirmada. Após três adiamentos, os sócios do clube definem o novo presidente para o biênio 2021-2022, nesta sexta-feira, na Ilha do Retiro, no formato drive-thru, das 8h às 17h. Desta forma, o NE45 entrevistou os quatro candidatos do clube e nesta matéria traz a sabatina realizada com o oposicionista Nelo Campos, da chapa Sport Na Raça.

Clique AQUI para ler a entrevista com Milton Bivar
Clique AQUI para ler a entrevista com Eduardo Carvalho
Clique AQUI para ler a entrevista com Delmiro Gouvêia

Nelo Campos é empresário, é conselheiro do Sport há quase 30 anos, passou aproximadamente 10 anos como diretor da base rubro-negra, e foi diretor de futebol do clube em 2019 e começo de 2020, quando deixou o clube por discordâncias com a atual gestão.

Na entrevista à reportagem, Nelo Campos disse que usará a transparência como um dos pilares fundamentais da sua gestão, para explanar ao torcedor todo o dinheiro que entra e sai do Sport. Além disso, elencou qual o tipo de perfil que pretende contratar de executivo de futebol, técnico e atletas, além de demais questões administrativas para sanar as dívidas do Leão.

Entrevista de Nelo Campos

Planejamento para o futebol

“Executivo conversamos com alguns, treinador ainda não, e vamos entender a situação atual do clube para que possamos trazê-los e fazer uma análise geral das renovações. Como foram feitas, como são os contratos. Vamos nos inteirar, contratar técnico e executivo, e começar o planejamento com um time aguerrido, com a cara do Sport. Com jogadores comprometidos, mesclar com jogadores experientes e outros em ascensão, além de usar a nossa base. Um técnico com esse perfil, que conheça o futebol pernambucano e o nordestino, que tenha identificação com a camisa do Sport, sem necessariamente ter passado por aqui”.

“Teremos 54 dias para o Brasileiro, 30 dias para o fim da primeira fase do Pernambucano. O Sport tem ainda quatro jogos até o último jogo da primeira fase, contra o Náutico. Então é tempo suficiente para que o  técnico assuma. Confio plenamente na comissão da casa para fazer quantos jogos forem necessários até trazermos o treinador. Vamos esperar que, em caso da gente ganhar, façamos as contratações necessárias, primeiro pelo técnico e pelo executivo. Depois vamos conhecendo o elenco, suas necessidades, aquelas que a gente imagina e conhecer, para termos um elenco forte e ter um campeonato mais tranquilo do que foi na temporada 2020”.

Qual o perfil de executivo de futebol buscado por você?

“Perfil que conheça nossa região, que saiba trabalhar com pouco, e desse pouco fazer muito. Que tenha identidade com os nossos objetivos. No Sport ninguém vai ter a chave do clube, seja técnico, executivo, departamento de inteligência, executivo, diretor de futebol, presidente. Todos irão trabalhar em conjunto e assim será feito o futebol. Não será de um dono só. O técnico terá que, antes de chegar, saber disso e que trabalhará dessa maneira. O executivo, a mesma coisa. Entender que ele participará do planejamento, terá direito a um voto e será a pessoa que executará o planejamento que for feito. E teremos na parte de contratações o uso do departamento de inteligência além do executivo e do treinador, feitas em conjunto”.

Quais são as melhorias planejadas para as categorias de base do Sport?

“Passei mais de 10 anos na base, sei as necessidades. A necessidade maior é de ter uma integração total, que o departamento de futebol seja tratado de uma única maneira, com um único objetivo, que é revelar e trazer jogadores para que a gente possa deixar de ser comprador e sejamos vendedores, como já fomos no mercado. Assim conseguiremos resolver muitas pendências nossas. Temos que saber os contratos que foram feitos durante a pandemia. Alguns jogadores saíram e temos que ver a situação. Se vão voltar ou não, alguns de projeção, que foram até convocados para Seleção Brasileira de base. Jogadores que saíram sem uma transparência total até hoje. Começamos a temporada 2021 e vários jogadores não vão retornar para o Sport. Alguns retornaram, outros não. Temos que entender onde esses jogadores estão e ter cuidados com nossos jogadores da base, onde jogadores possam ter mais oportunidade e sejam mais trabalhados dentro do elenco para que possam ser aproveitados”.

“Quanto à nova metodologia do departamento integrado, nosso departamento de inteligência vai funcionar na base. Vamos começar com no mínimo dois profissionais. O Athletico Paranaense trabalha com 12. Vamos começar a levantar promessas da região, acompanhar peneiras, e daí começando a captação. Quando o jogador estiver dentro, faremos um trabalho integrado. Para que quando ele seja chamado ao profissional esteja com peso, massa muscular. Que chegue chamando os profissionais pelo nome, não de senhor, chamando para tirar foto. Que esteja entrosado e seja para eles normal, coisa do dia a dia. Temos alguns jogadores que, se bem trabalhados, podem dar resposta. Mas é um trabalho de médio e longo prazo, a expectativa da gente é ter algum retorno já em 2021, mas se conseguirmos colocar todo nosso trabalho, em 2022 já teremos frutos desse trabalho a ser implantado”.

Ideias para voltar a ter maiores investimentos nos esportes olímpicos e no futebol feminino

Vamos dar uma atenção especial para os esportes olímpicos. Temos uma pessoa que já comanda o futebol de salão, que já é independente, e foi levada por mim. Ele trabalha com projetos que recebem fundos para os esportes olímpicos e será replicado para outros esportes. Terão vida própria, com orçamento próprio. Assim que vai funcionar com toda equipe e que está sendo montada e é um recomeço. Muitos esportes, se não acabaram, chegaram perto de acabar com essas duas últimas gestões, com pandemia e tudo. Então vamos retomar, trazer o rubro-negro de volta para casa depois da pandemia. E assim que pudermos, queremos ter esses esportes novamente pulsando, com um movimento diário no Sport. Com escolinhas e trabalhos sociais em todos os esportes, onde já fomos destaques nacionais e internacionais.

“Temos que entender qual a realidade dele hoje. Vamos investir o máximo possível, tendo uma diretora dentro da vice-presidência de inclusão, através da Roberta Negrini, que é membro da ONU, trabalhando com inclusão da mulher em grandes empresas e multinacionais. Essa vice-presidência vai ter orçamento próprio e vai vender o futebol feminino como um produto, com trabalho sério, feito por uma pessoa séria, ao lado de uma diretoria de futebol, recebendo investimento. Não posso prometer o valor, mas vamos trabalhar para angariar recursos para que sejam investidos no futebol feminino”.

Planos para o pagamento de dívidas

“Primeiro temos que fazer um raio-x, porque é tudo uma caixa preta. O presidente disse que guardou dinheiro para pagar a compra de André, mas essa compra só foi feita depois que entrou o dinheiro da premiação da Série A. É complicado, uma coisa que a gente não tem o conhecimento da realidade financeira, que não deve ser boa. Uma hora dizem que são três meses de salários atrasados dos funcionários, depois dizem que não”.

“Sabemos que também tem impostos atrasados. Temos um advogado trabalhando nessa negociação das dívidas tributárias. Vamos fazer um consórcio de dívidas para saber de cada valor que vamos arrecadar, quanto vai sobrará para o clube e quanto vai para o pagamento de dívidas. Temos que fazer esse levantamento todo para que, junto com nosso projeto, possamos definir o que podemos mexer, implementar em cada setor, porque nosso projeto vai ser de médio e longo prazo. Inclusive, preciso utilizar esses dias de transição para já começar o serviço. Quanto mais rápido, por mim, caso ganhe a eleição, no sábado de manhã já estou pronto para trabalhar”. 

Utilização do espaço da Ilha do Retiro para levantamento de receitas

“Primeiro de tudo, assinei um compromisso em cartório de não mexer no patrimônio do Sport. Um compromisso que eu não precisava assinar, mas como fizeram tanto alarde e veicularam por eu ter o apoio de Gustado Dubeux, assinei o acordo publicitado para todos os rubro-negros para reforçar esse argumento. Apesar que não haveria necessidade, porque nada no Sport poderia ser vendido sem uma assembleia geral. Nenhum presidente teria esse poder”. 

“Vamos começar a reformar nosso patrimônio que está jogado ao léu. Vamos tomar medidas objetivas, fazer mutirão. Se for preciso meter a mão num pincel, numa colher de pedreiro, eu vou. Se for necessário, faremos para recuperar. Vamos fazer um plano diretor para isso, porque uma questão que acho inadmissível é uma lanchonete de porte mundial ficar do outro lado da rua e não estar dentro do Sport. Porque estaria gerando movimento e receita para o clube. Na hora que o cara vai lanchar, ele vê o que tem dentro do clube, vai querer se associar, vai acompanhar. Vamos ter esse plano diretor, movimentar a Ilha do Retiro, os esportes olímpicos. Vamos ter esse estudo com pessoas capacitadas e se possível vamos ter tudo que for decidido no plano diretor para entender a necessidade do sócio e de quem não é sócio para trazê-lo à Ilha do Retiro e consumir produtos e serviços do Sport”.

Quais os planejamentos para lançar um novo plano de sócios?

“Vamos fazer uma grande pesquisa. A necessidade de cada um, fazer um recadastramento, porque é absurdo, em 2021, o Sport ter quatro listas de sócios e nenhuma delas ser confiável. Vamos fazer esse recadastramento sério, ouvir o sócio, entender, conversar as ações que a gente já pontuou, levar benefício para o sócio. Não sei exatamente com quanto tempo, mas depois de entender tudo isso e a real necessidade de cada faixa, vamos lançar nosso plano de sócios e esperamos, em dois anos, chegar na faixa 30 a 40 mil sócios em dias”.

Avaliação sobre a reforma do estatuto. O tema será tratado como prioridade?

“Trataremos como prioridade, sim. Não posso dizer o tempo exato, porque precisa passar pela nossa área jurídica. Sou conselheiro desde os meus 19 anos de idade, e nunca vi uma reforma do estatuto tão transparente e tão bem feita como foi. Foram colocados canais digitais para receber propostas, foi ouvido o torcedor, foi debatido, reuniões abertas e transmitidas online, sempre com sócios presentes. O executivo quando quis, se apresentou, falou, debateu. Todos os pontos do estatuto foram debatidos e votados. Para a nossa surpresa, depois de aprovado, já na reunião de aprovação, houve um esvaziamento gigante da reunião, mas mesmo assim depois conseguimos quórum para aprovação em novembro, mais para frente o executivo não convocou a AGE. Depois tivemos outra reunião em fevereiro que aprovou a convocação da assembleia, isso foi enviado ao executivo para cumprir, mas mais uma vez não convocou. Nossa gestão é 100% a favor da reforma do estatuto, vamos fazê-la e colocá-la em votação, mas precisa também passar pelo nosso jurídico”.

Nelo, em relação à transparência, como você pretende trabalhar essa questão?

“Desde o primeiro dia, nossa gestão será a mais transparente possível. Meu sonho é, até o fim de 2022, ter um telão na sede com os dados mais importantes, como números de sócios adimplentes e inadimplentes, débito fiscal e cível, arrecadação mensal, anual, juntar e ter o mais rápido possível essas informações para serem exibidas em tempo real. Vou fazer de tudo para que a gente tenha essas informações. Para saber quanto custa a folha do futebol do Sport, o custo administrativo, isso todo mundo vai saber. Não adianta iludir o torcedor. Primeiro temos que fazer a renegociação das dívidas, saber quanto vai para dívidas e quanto para o clube. Vamos ter a maior transparência possível. Queremos ter um aplicativo com que todo associado tenha direito a acessar a lista de sócios atualizada, sabendo quantos estão adimplentes e inadimplentes. Vamos trabalhar sem esconder nada”. 

Relação com outros candidatos após o pleito?

“Eu espero muito e estou com muita saudades de gritar o cazá-cazá na Ilha do Retiro, independente se eu ganhar ou não. Se for como presidente eleito, ficarei muito feliz. Mas se perder, gritarei o cazá-cazá parabenizando o candidato que o sócio escolheu. Quem decide é o torcedor. Com a nossa chapa, as portas estão abertas para todos. Para conversarmos, ouvir, e tenho certeza que Milton jamais iria prejudicar o Sport ou fazer uma transição turbulenta. Não há motivos para isso. Certeza que será uma transição com toda clareza possível”. 

Nelo, qual a sua avaliação sobre as torcidas organizadas?

“A gente vai tratar o torcedor, o sócio, da mesma maneira. Seja o que chega, descalço, o que chega no melhor carro, terá o melhor tratamento. Se eles se comportarem como cidadãos, terão o tratamento igual, independente da roupa que estão vestindo. Dentro de campo, a torcida organizada que fizer um bom trabalho, será aplaudida. Fora de campo, o tratamento é igual a todo torcedor. As organizadas não terão nenhuma regalia e serão tratadas como qualquer outro torcedor”.

Considerações finais, pode ficar à vontade para falar abertamente.

“Estou muito feliz, não foi uma campanha fácil. Foi uma campanha onde pessoas que não se prepararam para o pleito, não tiveram projeto, usaram ataques pessoais, mentiras, e o que a gente prometeu, cumpriu. Cada ataque que recebíamos, retrucamos com um projeto, apresentação de nome. Nosso projeto tem 87 páginas, com tudo bem explicado e deixando claro como vamos trabalhar, juntamente com o nome das pessoas que irão executar tudo isso. Jamais, em Pernambuco, vi um clube social fazer uma campanha como a nossa. Houve boa repercussão com pessoas até de chapas adversárias, reconhecendo o nosso trabalho. Bom que pudemos deixar algum legado, mesmo que não tenhamos êxito, porque levamos boas práticas até às outras chapas. Chegamos com a sensação de dever cumprido, com satisfação pela resposta do torcedor, desde o mais humilde ao mais abastado”.

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