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João de Andrade NetoPodcasts

Maradona: o herói sujo e possível

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Como não sou religioso, prefiro não me referir a Maradona como muitos gostam de chamá-lo, de Deus. Prefiro chamá-lo de herói. Um herói imperfeito, e por isso mesmo um herói necessário. Porque Maradona, com toda sua humanidade em estado puro, nos mostrou, mesmo se ser a sua intenção (mais um ponto positivo), que podemos ser belos, e falhos. Essa é a nossa natureza. Isso fez Maradona ser tão próximo, tão amado, tão admirado e tão criticado.

Porque Maradona sempre foi intenso. Gostem ou não, o Maradona gênio do futebol e o Maradona de carne e osso sempre foram um só. O desonesto que faz um gol de mão em uma Copa do Mundo. O “meteóro cósmico” que faz o mais belo gol das Copas do Mundo. Na mesma partida. Em um intervalo de poucos minutos.

O craque, o bêbado, o dependente químico, o passional. Sempre vivenciamos o Maradona por completo. Ou o mais próximo disso. Qual herói perfeito, utópico, irreal e distante permitiria isso? Maradona sempre foi um peito aberto. Falava o que pensava. Não se preocupava com polêmicas. E mais uma vez pergunto. Porque querer evitar as polêmicas?

Com a sua morte precoce, aos 60 anos recém completados, Maradona aumentará ainda mais a sua divindade para os fãs. Mas pra mim, Maradona sempre será um herói sujo. Mas o herói possível. O herói do dia a dia. E por isso tão próximo do seu povo.

E entre tantas e tantas mensagens que li sobre o craque desde a sua morte, uma se destacou entre as demais. Que segundo relato escrito no Twitter fazia referência a uma comparação feita por um motorista de Uber, argentino de Buenos Aires. Mais um mortal, que quando perguntado sobre a comparação na admiração entre Maradona e Messi, afirmou: “Messi é o que todo argentino sonha em ser. Maradona é o que nós somos”.

Foto: Paulo Pinto/FotosPublicas

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