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Apenas 9% dos árbitros da Série A são do Nordeste, aponta estudo da ANAF

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Com quatro clubes na Série A (Bahia, Ceará, Fortaleza e Sport), o Nordeste possui 20% dos participantes na elite do futebol nacional. Porém, esse mesmo percentual não se repete no que se refere à origem dos árbitros que atuam na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. 

De acordo com um estudo feito pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), 81% das partidas realizadas entre a 1ª e a 22ª rodada da Série A do Brasileiro 2020 foram comandadas por árbitros das regiões Sul e Sudeste. Depois, aparece o Centro-Oeste com 10% dos representantes e o Nordeste com apenas 9%. Nenhum árbitro da região Norte foi escalado nesse período. 

Para o presidente da ANAF, o pernambucano Salmo Valentim, esse número é fruto de preconceito e falta de interesse em resolver o problema por parte da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, presidida atualmente pelo gaúcho Leonardo Gaciba. A “democratização da arbitragem brasileira” é o tema principal do 49º congresso promovido pela entidade, realizado desta sexta-feira (4) ao domingo (6), no Recife, com a presença de presidentes dos 27 sindicatos e associações estaduais de árbitro do País.

“Atribuo isso a um fator histórico. Primeiro por má gestão, porque o grande gestor sai da sua cadeira e vai até o local descobrir valores. O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem é do Sul e toda a comissão de arbitragem é do Sul e do Sudeste. Há também discriminação. Uma desconfiança dos árbitros do Norte e do Nordeste, sem qualquer motivo”, alegou Salmo Valentim, em entrevista ao NE45.

O presidente da ANAF prosseguiu, estendendo aos clubes esse preconceito pela escalação de árbitros do Norte e Nordeste. “É preconceito por parte dos grandes clubes também que dizem que o árbitro daqui não tem valor, nem qualidade. Hoje tenho um contato direto com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e vou levar esse projeto para ele. Dizer que a arbitragem brasileira precisa desse projeto. O que está ai está falido. É um projeto personalista e não desenvolve nem pessoas, nem profissionais”, prosseguiu.

Segundo presidente da ANAF, há preconceito da comissão nacional contra árbitros do Nordeste (Foto: Hugo Dourado/Divulgação)

Segundo Salmo Valentim, a situação dos árbitros do Norte e Nordeste piorou nacionalmente a partir de 2013. Segundo ele, desde então a comissão nacional “trucidou” os árbitros dessas duas regiões. “De 2013 pra cá eles praticamente trucidaram o Norte e o Nordeste. O último árbitro Fifa do Nordeste foi o Chicão em 2014 (o alagoano Francisco Carlos Nascimento), que passou dois anos. Em Pernambuco, o Wilson (Souza) saiu em 2007 acusado de deficiência técnica”, recordou.

Atualmente há três árbitras do Norte e Nordeste no quadro da Fifa. A assistente paraense Bárbara Roberta da Costa, a árbitra pernambucana Déborah Cecília e a árbitra sergipana Thayslane de Melo Costa.

“A bandeira da comissão nacional era de que quando o árbitro de fora fosse apitar as decisões locais era porque o árbitro do estado não estava valorizado. Esse ano o Diego Fernando (do quadro da Federação Pernambucana) apitou a final do Estadual entre Santa Cruz e Salgueiro. Tem árbitro no Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná que sequer apitaram jogos de quartas de final dos respectivos estaduais, nem clássicos nos seus estados, e estão apitando Série A. Qual a explicação? Discriminação total”, repetiu Valentim.

“A arbitragem precisa se unir e entender que enquanto as comissões estaduais e nacionais estiverem vinculadas às federações e à CBF o árbitro terá pouca oportunidade. é preciso criar comissões independentes, como na Europa, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai”, sugeriu. 

A coluna também entrou em contato por telefone com o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Leonardo Gaciba, que não quis dar declarações sobre o assunto.

Divisão dos árbitros nas Séries A, B e C do Brasileiro em 2020

Série A (1ª a 22ª rodada)
Sul – 42%
Sudeste – 39%
Centro-Oeste – 10%
Nordeste – 9%
Norte – 0%

Série B (1ª a 21ª rodada)
Sul – 15%
Sudeste – 33%
Centro-Oeste – 10%
Nordeste – 29%
Norte – 13%

Série C (1ª a 7ª rodada)
Sul – 14%
Sudeste – 24%
Centro-Oeste – 17%
Nordeste – 36%
Norte – 9%

Fonte: Anaf

Foto: CBF/Divulgação

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