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SAF, Recuperação Judicial, projetos para o futebol e mais: os planos de Alexandre Asfora caso seja presidente do Náutico

Foto: Lucas Holanda/NE45

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Candidato conversou com a reportagem do NE45 e falou sobre os principais pontos da eleição alvirrubra

Candidato a presidente pela chapa “Gestão e Paixão pelo Náutico”, Alexandre Asfora, que terá como vice Diego Rocha, diz que o grupo é independente, embora tenha sido o diretor social na gestão Diógenes Braga, deixando o cargo há poucas semanas. Aos 49 anos, o advogado vai para uma disputa eleitoral no Timbu pela primeira vez.

Alexandre Asfora também é presidente do Clube Alemão de Pernambuco, onde tem Diego Rocha ajudando na gestão. A dupla, portanto, agora busca administrar o Náutico, que busca melhores resultados em 2024 – sobretudo para deixar a Série C do Brasileirão.

Assim, para ser presidente do Náutico, Alexandre Asfora terá que superar o também advogado Bruno Becker, que é o candidato da oposição. A eleição alvirrubra é no próximo domingo (12), a partir das 8h às 17h.

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Foto: Lucas Holanda/NE45

Confira a entrevista com Alexandre Asfora

Por que ser presidente do Náutico

Por acreditar que tenho capacidade de contribuir nesse momento, principalmente pelo fato da iminência da chegada da SAF. E a gente tem experiência comprovada em gestão de clube associativo, então podemos realizar um belo trabalho. Fui a primeira chapa inscrita. Não verifiquei, junto com Diego Rocha, nenhum nome disponível para ajudar o clube e nenhuma previsão de um nome que, na minha visão, se encaixasse no perfil de gestão que o Náutico precisa nesse momento de SAF, que trabalhe a favor da Recuperação Judicial (RJ), da Liga e do Grupo Mateus. Como não enxerguei ninguém que ingressasse com esse projeto, entendi que deveria lançar nossos nomes.

SAF, modelo e garantias

O modelo associativo vem sendo tentado há 122 anos. Ele até deu certo até o início da década de 1970, mas, de lá para cá, quantos títulos o Náutico ganhou? O que aconteceu com o Náutico no cenário regional e nacional? Encolheu. A SAF é uma realidade mundial, então a gente tem que se adequar a esse momento. O torcedor está ávido para que o Náutico volte a ganhar e ele enxerga que o trabalho pelos gestores do Náutico vem sendo bem feito no sentido da SAF.

A gente tá com um escritório de advocacia muito robusto. Estamos com especialistas com credibilidade no cenário nacional sobre a SAF e existe uma proposta, ainda não vinculante, de uma empresta com lastro, sólida e que apresenta garantias, num modelo de SAF que entendemos ser bom para o Náutico. Não vamos ter nosso patrimônio colocado em risco. A gente vai ter 10% no contrato. Então a gente entende que é o momento da SAF nesse modelo apresentado. A SAF vai ser formalizada através de um contrato, com todos os requisitos legais. Os detalhes ainda estão sigilosos, mas pelo quilate do escritório de advocacia envolvido, temos certeza de que nosso patrimônio não será comprometido.

Foi um desserviço ter vazado essa proposta no montante, no valor, isso pode prejudicar inúmeras situações, inclusive a RJ. A gente precisa esperar a concretização do negócio para ver se tudo que tem sido dito vai se concretizar. Eu acredito que sim. Vi a proposta não vinculante na condição de conselheiro, mas não sei quem é o investidor. Sei das características do negócio. É um modelo tão convencional que o Náutico buscou fazer a RJ para que se apurasse o valor do débito para que o investidor tivesse consciência de onde está injetando seu capital. Acho que é uma parceria convencional voltada para a valorização da instituição.

Até me questionaram se seria tipo Red Bull Bragantino, que tem um perfil de contratação de jogadores jovens para a venda. Mas o Náutico é voltado para a instituição ganhar títulos, para voltar a ter um futebol vencedor. Venda de jogador é importante, mas quando você atinge Libertadores, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, também é injetado capital através das premiações. A gente tem que ter a consciência que precisamos formar jogadores, que precisam servir para o nosso time, criar identidade e, depois, ser vendido. Tem que acabar com essa história de vender menino com 14, 15 anos.

As conversas que tive com Luiz Felipe foram no sentido de que ele continuaria desenvolvendo o trabalho à frente da associação para a concretização da SAF no modelo proposto, que a gente entende ser o melhor. 90% para a SAF, 10% para a associação, blindar o nosso patrimônio, investimento no nosso estádio, pagamento das dívidas… E Luiz Felipe continuaria desenvolvendo o trabalho que ele desenvolve hoje. A novidade seria Rodolpho Moreira como o responsável da transição para a SAF. Ele seria o fiscal do clube nessa transição do futebol. Ele já declarou que não pretende continuar, mas a gente vem conversando nesse sentido para aproveitá-lo, porque ele estudou e se preparou essa transição.

Se formos eleitos, vamos trabalhar uma transição de gestão de forma tranquila e a gente espera que a SAF seja implantada de forma mais rápida possível. Eu acredito, e falo de forma empírica, que deva ser algo que demore dois a três meses, mas preciso me inteirar mais sobre o tema.

Recuperação Judicial

A gente está bem assessorado pelo escritório de advocacia, o processo está fluindo normalmente. O Náutico se preparou para essa Recuperação Judicial. O contrato do Grupo Mateus, que vai começar a ser pago em janeiro, é um dinheiro carimbado para o pagamento dessas dívidas, assim como o processo da Arena de Pernambuco, que vem caminhando com a expectativa de recebimento de até R$ 16 milhões. Está se trabalhando a destinação desses recursos com a mesma finalidade: para iniciar os pagamentos oriundos da RJ. Para iniciar os acordos nós já temos um capital assegurado. O que precisamos é que a SAF venha, dê mais robustez e a gente consiga liquidar por inteiro a dívida, para que o Náutico consiga a viver um novo nível de gestão.

A gente vai cumprir integralmente os compromissos assumidos pelo Náutico. Inclusive o presidente da associação pode até responder com seu patrimônio pessoal em caso de gestão temerária na Recuperação Judicial. A gente está compromissado com a torcida, compromissado com a instituição para cumprir todos os compromissos assumidos e tirar o Náutico dessa situação.

Liga Forte Futebol e Libra

A decisão adotada pela gestão atual foi acertada. Houve uma desvalorização muito grande pelo fato de o Náutico estar na Série C. Não se levou em consideração o passado do Náutico. São critérios objetivos. Precisava ser levado em consideração tudo do futebol. Torcida, valorização de marca, visibilidade… Nada disso foi levado em conta, apenas que estava na Série C. Nesse meio tempo apareceu a Libra, que encaminhou uma carta ao Náutico dando garantias que, assim que chegar na Série B, o clube vai receber R$ 60 milhões, assim como os clubes que hoje estão na Série B receberam. É um contrato com 50 anos de duração, que possivelmente eu não vou nem ver a renovação. São situações que a gente tem que levar em consideração. A gente não tem que ter pressa.

Tenho certeza que na hora da negociação da SAF, isso deve ter sido levado em consideração. Se a oferta foi de R$ 980 milhões, talvez fosse R$ 920, e aí as pessoas que representam o Náutico disseram que entraria R$ 60 milhões para não abrir mão da receita. Deve ter sido tudo negociado, com uma negociação de alto nível. É um escritório muito gabaritado, os especialistas também.

Em um cenário sem SAF, como ficam essas questões

A gente tem patrocinadores vigentes, isso é um fato. A gente tem que analisar todos os contratos, talvez propor um aditivo. A gente tem um marketing robusto, um comercial também. A gente não vai ter Copa do Brasil, que é uma competição que traz recursos e atrai o jogador, porque sabe que tem um bicho melhor e dá visibilidade. Então a gente está atento. Vamos atrás dos recursos.

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Foto: Tiago Caldas/CNC

Composição do departamento de futebol

A gente vem negociando com um executivo e eu posso dizer as características. É um cara que conseguiu acessos da Série D para a Série C e da Série C para a Série B, com trabalhos longos, que não tem característica de estar demitindo jogador e treinador por um resultado inesperado. Ele acredita no trabalho do treinador que ele contrata. É um executivo que tem um título de expressão há pouco tempo. A gente vem trabalhando nesse nome, assim como toda uma diretoria profissional.

A nossa ideia é não ter nem o vice-presidente de futebol. A gente não quer amadorismo no departamento de futebol. A gente continua conversando com Gilberto Correia, com Emerson Barbosa. Estamos trocando ideias, não estamos fechando com ninguém. E aí a gente já pensa na possibilidade de nem ter vice-presidente de futebol. A gente está montando a estrutura sem essa figura. Estamos analisando as possibilidades de não contar com essa figura. Não adianta encher de nomes. Não acho que isso vai resolver essa profissionalização do futebol. Estamos focados no executivo, não é a única opção.

Vai ter o executivo de futebol e uma ou duas pessoas remuneradas no topo da cadeia, junto com o executivo e o treinador. Vai ter um grupo de dois a três, além do treinador. Os cargos estamos desenhando no mais alto critério, para que a gente não traga uma pessoa que não ofereça nada em troca.

Qual o valor da folha salarial

Na temporada passada, com Copa do Brasil, a gente iniciou com R$ 350 mil de folha. Então a gente está projetando R$ 350 mil para o início da temporada. Lógico que, dependendo do treinador indicado pelo executivo, a gente possa botar o treinador dentro ou fora dessa folha. Vai depender também do que o marketing e o comercial arrecadam de recursos. A gente quer subir, quer ganhar, mas tem que trabalhar com a realidade atual. O Náutico trabalhou muito para resgatar a imagem de bom pagador, e a gente não pode desprezar isso. Tudo o que um jogador quer é receber em dia e ter condições de treinar.

Nosso CT não é o do Barcelona, mas dá totais condições para os jogadores. E a gente vem requalificando e vai requalificar ainda mais. A gente tem que trabalhar forte em cima desses pilares para que, mesmo na Série C, possa trazer jogadores gabaritados, jogadores que possam jogar numa Série B ou Série A. A folha, a princípio, pode ser uma folha módica, mas não tem nenhuma relação com a gestão anterior. A gente vem conversando com esse executivo que falei, embora ele não tenha fechado acordo, a gente vem dialogando e buscando entender a melhor forma de entender.

Perfil do treinador

Isso vai ficar com o executivo e com a equipe dele. Não vou me envolver no futebol, vou dar meios para que ele aconteça e que seja vitorioso. Vou estar ciente de tudo, mas sem envolvimento direto. O que a gente vislumbra nas conversas com o executivo é que seja um treinador com características que casem com o executivo. Não adianta trazer um executivo que pense de uma forma, e um treinador que pense de outra. A gente trabalha para que seja um treinador afiado com o executivo para que a gente obtenha sucesso.

A gente já vem falando sobre alguns nomes, já estamos vendo o mercado. Não vai demorar um mês para chegar. A gente vai anunciar primeiro o executivo, que vai nortear o nosso futebol, e depois anunciar o treinador, porque precisamos formar um time e entrar no Pernambucano para ganhar. A gente tem que virar essa página dolorosa que foi esse ano.

Aflitos

Isso está no plano de ação da SAF, o retrofit, que é o nome bonitinho. Se demorar para acontecer a SAF, o que eu não acredito, a gente vai continuar fazendo melhorias que são possíveis através de investidores e parceiros. Há pouco, dois banheiros foram reformados. A gente vem trabalhando no sentido de captar recursos. O estádio dos Aflitos carece de uma modernização, mas para o que estava, porque a gente conseguiu reabrir e voltar para casa, avançou muito. A gente tem que continuar avançando, melhorando o equipamento como todo.

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