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João de Andrade NetoSanta CruzSérie C

Hora da colheita tricolor

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O Santa Cruz está no seu terceiro ano seguido na Série C, mas nunca esteve tão preparado para sair do terceiro degrau do futebol brasileiro. Para 2020, o planejamento feito na montagem do elenco concentrou mais acertos do que erros. Para um grupo que já contava com jogadores experientes como William Alves, Danny Morais e Pipico, chegaram outros também com bastante rodagem, como Bileu, Paulinho, Didira, Toty e Chiquinho, o que deu ao Tricolor uma espinha dorsal interessante para a disputa da Terceira Divisão, competição que dá a possibilidade de ter um grupo mais maduro, uma vez que os jogos acontecem apenas nos finais de semana, com tempo de recuperação desses atletas.

Aliado a algumas gratas surpresas como o goleiro Maicon Cleiton e o volante André, o Santa conseguiu montar o seu melhor elenco em anos. O melhor da Série C. E que praticamente vem jogando junto desde o começo do ano, mantendo a competitividade mesmo com a troca do comando técnico (com a saída de Itamar Schulle e a chegada de Marcelo Martelotte), com pouquíssimas peças de reforços. Outra prova da grau de acerto no planejamento para 2020.

Não por acaso, o time sobrou e teve a melhor campanha geral na primeira fase, com 37 pontos (seis a mais que o Ypiranga, líder do Grupo B), se dando o direito a relaxar na reta final da primeira fase. Algo que não vejo como problema na retomada do foco para o quadrangular final, que se inicia neste fim de semana, justamente pela experiência do seu elenco. Uma cobra rodada e com couro duro. E para completar, o Santa teve em seu grupo no quadrangular, na minha visão, os melhores adversários que poderia ter.

A começar pelo adversário de estreia. O Brusque favorito ao acesso no começo da competição, e com aporte financeiro pesado do seu patrocinador máster, implodiu. Sem vencer há sete jogos, o time precisou contar com um empate da Tombense na última rodada, em casa, para o rebaixado Boa, para se classificar. Nessa sequência de queda, sofreu uma goleada histórica por 8 a 1 para o Volta Redonda, em casa. E não é tão simples ligar de novo na tomada. Caso seja derrotado pelo Santa no jogo de estreia do quadrangular, o Brusque corre o risco de apagar de vez e virar o fiel da balança no grupo.

Já o Vila é, dos adversários que poderiam sair do grupo do Santa, o que julgo o melhor para ser enfrentado. Tem como ponto forte a defesa (sofreu 11 gols na primeira fase), mas o Tricolor não encontrou dificuldades para superá-la no encontro entre os dois no Arruda (vitória por 2 a 0). A derrota por 1 a 0 no jogo de ida, em Goiânia, foi o último jogo de Itamar Schulle no comando coral. Com o Tricolor jogando melhor e pressionando até o fim.

E por fim, o Ituano. Clube de um estado forte, mas que na primeira fase só conseguiu uma vitória diante dos times do Grupo B que se classificaram. E esse triunfo foi justamente sobre o Brusque, em sua fase de declínio. No jogo de ida contra os catarinenses, derrota por 2 a 0. Além disso, o time somou um empate (em casa) e uma derrota para o Londrina e dois reveses contra o Ypiranga-RS. Por sinal, as derrotas contra Londrina e Ypiranga foram as únicas nos oito jogos finais, onde obteve seis vitórias que impulsionaram a sua classificação.

Porém, independentemente dos pontos fortes e fracos dos adversário, vejo o Santa um patamar acima. Tem problemas? Sim, na lateral esquerda. Mesmo assim é o time a ser batido no grupo. O favorito é não pode ter vergonha disso. Pelo contrário. É preciso usar essa força a seu favor. É o adversário mais respeitado. O de maior tradição. O de melhor campanha. O do elenco mais maduro, entrosado e acostumado com decisões. Todo a temporada do clube irá se decidir nos próximos seis jogos. E o Santa se preparou como nunca para esse momento. Está pronto. É chegada a hora da colheita.

Foto: Rafael Melo/Santa Cruz

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