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Os detalhes do Brusque, 1º rival do Santa no quadrangular da C

Brusque se classificou na última rodada, após empate com o Criciúma. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FC)

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Parceria de Camila Sousa, Diego Borges e João Pedro Pereira

Na disputa do Santa Cruz pelo acesso no quadrangular final da Série C, o NE45 preparou uma série de três reportagens sobre os adversários do Tricolor do Arruda. Em análises, depoimentos, leituras táticas, o conteúdo destrincha o máximo de detalhes sobre Vila Nova, Ituano e Brusque, que abre a lista por ser o primeiro adversário que os corais vão enfrentar, já no próximo domingo.

O início da temporada do Brusque

O ano de 2020 começou para o Brusque de forma antecipada. Mais precisamente no dia 21 de julho de 2019, quando a equipe catarinense reverteu a derrota para a Juazeirense no jogo de ida das quartas de final da Série D, aplicando uma goleada por 4 a 0. Ali o acesso para a Série C, posteriormente consolidado com o título de campeão da competição. Oportunidade de voltar a disputar a Terceira Divisão, que não disputava desde 1988 – um ano após a sua fundação.

Por isso a aposta em manter boa parte do elenco campeão brasileiro, como Ianson, Neguette, Rodolfo Potiguar, Thiago Alagoano, e outros atletas que foram importantes para a conquista. Além disso, Jerson Testoni seguiu como treinador, após assumir a equipe na saída de Evandro Guimarães (ex-Salgueiro e Fluminense de Feira). Em outubro, teve o contrato renovado até 2022. O comandante levou o time a conquistar os títulos da Copa Santa Catarina 2019 e da Recopa Catarinense, em 2020.

No campeonato estadual, o Brusque foi vice-líder e terminou a primeira fase com campanha semelhante à do líder Avaí. E após quatro meses de paralisação por conta da pandemia, até chegou a eliminar Joinville e Juventus, e foi à decisão diante da Chapecoense, equipe que vencera em plena Arena Condá na fase classificatória. Porém duas derrotas na final encerraram o sonho.

Copa do Brasil, um capítulo à parte

Em paralelo a isso, além da boa campanha no catarinense, o Brusque foi um dos times que mais surpreendeu na edição deste ano da Copa do Brasil. Em fevereiro eliminou o Sport, equipe que disputa a primeira divisão, vencendo em casa por 2 a 1. Em seguida atropelou o Remo novamente em casa, goleando por 5 a 1 a equipe rival indireta na própria Série C, e ainda eliminaria o Brasil de Pelotas-RS com duas vitórias, time que disputa a Série B.

Só então, depois do período da pandemia, o Brusque caiu para o Ceará com duas derrotas nas oitavas de final da Copa do Brasil, porém somou a expressiva quantia de R$ 4,65 milhões. Quantia que foi fundamental para as finanças do clube durante o período sem jogos, uma vez que patrocínios tiveram as cotas reduzidas, inclusive a da Havan, patrocinadora master do clube, que aporta um valor de quase R$ 300 mil por mês.

A ascensão na Série C…

E com um bom desempenho contra equipes até de divisões superiores, esperava-se do Brusque uma ótima largada na Série C. E o clube foi além delas. Obteve a melhor campanha dos nove primeiros jogos, à frente inclusive do Santa Cruz, com um aproveitamento de 81,5% dos pontos conquistados, com 22 somados em sete vitórias, um empate e uma única derrota em nove jogos. O Brusque era o clube a ser batido, ao menos no papel.

Gols marcados 1º turno: 14 em 9 jogos

Contra-ataque: 1 (Volta Redonda)
Rebote/pequena área: 1 (Londrina)
Bola aérea (alçada na área): 4 (Boa Esporte, Tombense, Volta Redonda, Criciúma)
Bola parada (escanteios, faltas): 2 (São Bento, Londrina)
Chute de fora da área: 1 (Ypiranga)
Grande área: 4 (Ypiranga, Ituano, Criciúma 2x)
Pequena área: 1 (Ituano)

Gols sofridos 1º turno – 6 em 9 jogos

Rebote/pequena área: 1 (Volta Redonda)
Bola aérea (alçada na área durante o jogo): 1 (Londrina)
Bola parada (escanteios, faltas): 2 (São Bento, Criciúma)
Grande área: 2 (Ypiranga, Volta Redonda)

… e a queda do Brusque

Porém, quando veio a virada de turno para os jogos que completaram a fase de returno, o Brusque saiu completamente dos trilhos. O clube somou apenas cinco pontos dos 27 possíveis da reta final. Desempenho que superou apenas o Imperatriz, lanterna absoluto do Grupo A, que não pontuou no recorte. A queda do Brusque foi tão acentuada, que o clube correu sério risco na última rodada de ser eliminado. Se salvou pelo fato da Tombense não conseguir vencer o já rebaixado Boa Esporte na 18ª rodada.

Apesar da classificação, o Brusque chega para o quadrangular com um péssimo retrospecto de sete jogos sem vencer na Série C, sendo apenas três empates e quatro derrotas. Uma delas, a mais contundente, o 8 a 1 sofrido para o Volta Redonda, já eliminado na competição no contexto da partida. Foram 19 gols sofridos nesses sete jogos, o que soma uma média de mais de dois gols sofridos por jogo.

Gols marcados 2º turno – 9 em 9 jogos

Pênalti: 3 (Ypiranga, Volta Redonda, Criciúma)
Bola parada (escanteios, faltas): 1 (Boa Esporte)
Chute de fora da área: 1 (Londrina)
Grande área: 4 (São Bento, Ituano, Boa Esporte, Criciúma)

Gols sofridos 2º turno – 19 gols em 9 jogos

Contra-ataque: 3 (Ituano, Volta Redonda 2x)
Pênalti: 2 (Londrina, Volta Redonda)
Bola aérea (alçada na área): 2 (Ypiranga, Boa Esporte, Criciúma)
Bola parada (escanteios, faltas): 1 (Ituano)
Chute de fora da área: 4 (Boa Esporte, Volta Redonda 2x, Criciúma)
Grande área: 4 (Tombense 2x, Volta Redonda 2x)
Pequena área: 3 (Ituano, Londrina, Volta Redonda)

Análise tática do Brusque

De melhor campanha geral à quase desclassificação, pior defesa (26 gols sofridos, empatado com Ypiranga-RS) e pior saldo de gols (-3) entre os oito classificados à segunda fase da competição. O Brusque-SC, esta montanha-russa em fase de queda livre descrita acima, é o primeiro adversário do Santa Cruz na fase decisiva em busca do acesso para a segunda divisão nacional. Aqui, com as devidas ressalvas da campanha que já amarga sete partidas consecutivas sem triunfo e uma histórica goleada sofrida em casa por 1×8, conheceremos melhor este rival tricolor passando pela sua forma de jogo, destaque positivos e negativos de forma coletiva e individual.

Como defende?

Pelo início muito bom e término de primeira fase muito abaixo, mas com possibilidade de injeção financeira, é difícil fazer qualquer projeção sobre qual Brusque veremos a partir de agora, tendo o próprio Santa Cruz já no confronto de estreia, mas, ao longo de toda a competição também podemos observar várias semelhanças: 4-4-2 em bloco médio e realizando marcação individual por setor, ou “por encaixes”, como é popularmente conhecida esta marcação.

Com destaque para o zagueiro Ianson, que do alto dos seus 1,88cm é bastante dominante por cima, mas peca na sua falta de velocidade, falha de posicionamento e tempo de bola, desta forma, tomando gols ao longo da competição onde podemos observar os adversários atacando os espaços gerados por uma linha de 4 defensiva desestruturada.

Na fase mais recente, onde as vitórias tornaram-se escassas, passou a ser tendências as várias oportunidades e gols cedidos aos adversários por meio de contra-ataque, sendo 6 gols nas últimas 10 partidas. Além das já citadas dificuldades táticas e técnicas, a equipe demonstra também uma natural queda psicológica, que acaba afetando negativamente o desempenho em campo possibilitando aos oponentes explorar suas falhas na transição defensiva como a falta de velocidade para recompor e defender a profundidade quando o portador da bola a conduz sem ser pressionado.

Como ataca?

Com a lesão de Edu, seu camisa 9 e referência ofensiva junto com Thiago Alagoano, ainda em agosto e sem previsão de retorno durante a série C, o Brusque passou a adotar um ataque mais dinâmico e veloz, retirando a função do camisa 9 mais estático na área e colocando no seu lugar meias e pontas, que oferecem maior possibilidade de sair da área para auxiliar na construção de jogadas, levar marcador e gerar espaços para os companheiros atacarem a área.

Assim, com vários jogadores, a dinâmica ofensiva passou a contar com os laterais abrindo o campo lateralmente (amplitude próxima de máxima) e os meias e atacantes ocupando o corredor interno e preenchendo a área com pelo menos 3 homens. Criou-se, a partir disso, uma grande tendência de recuperar bolas rebatidas pela defesa adversária, alcançando vários gols ao longo da disputa da série C.

Outra boa forma de criação da equipe catarinense foi a partir das bolas longas, esta podemos considerar um padrão determinante, aquele que não acontece com tanta frequência, mas que a partir do momento em que acontece, pode definir um confronto.

Time base

Nos últimos jogos, com a oscilação do resultado e do futebol apresentado em campo, o time do Brusque tem rodado bastante os titulares, sobretudo no setor de ataque e na dupla de volantes. Sendo assim, considerando os atletas que mais atuaram durante os 18 jogos da Série C até aqui, essa é a possível escalação que o time vá entrar em campo contra o Santa Cruz, no próximo domingo.

Destaques individuais

Thiago Alagoano

Se o ataque passou e passa por incertezas sem nomes fixos e com contratações chegando nas últimas rodadas, Thiago, o camisa 10, foi e continua sendo o cérebro e condutor da equipe desde o início da temporada. Artilheiro, mais chances criadas, mais passes para finalização e finalizações corretas. Líder nato. Costuma estar onde a bola está. Olho nele.

Ianson

Pilar do sistema defensivo, tem porcentagem altíssima nas disputas de bolas, principalmente pelo alto, onde costuma vencer cerca de 78% dos duelos.

Airton

Experiente lateral esquerdo é também peça importante no esquema de jogo da equipe. Média de 5 recuperações de bola por jogo, demonstrando seu valor defensivo. Em momentos ofensivos, lidera a equipe em cruzamentos certos e só está abaixo de Thiago Alagoano em chances criadas e passes para finalizações ao longo da temporada.

“A gente esperava que em algum momento fosse cair (o rendimento do Brusque). Só que não esperava que fosse uma queda tão bizarra e tão longa”, João Vítor Roberge, setorista do Brusque.

Para mergulhar ainda mais no contexto atual do Brusque, conversamos com o repórter João Vítor Roberge, do jornal O Município, que é setorista do clube, para traçar como ele observou a caminhada da equipe ao longo da temporada, a estrutura do clube e as projeções da imprensa catarinense para a reta final da Série C no quadrangular. Ouça a análise completa.

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