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Modelo, DNA, uso e mais: diretor detalha planos para base no Sport

‘A base será o grande propulsor dessa retomada do Sport’, disse

Diretor de futebol e responsável por coordenar a base, Augusto Moreira. Foto: Williams Aguiar/ Sport Recife

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Um dos temas que despertam mais interesse na torcida do Sport, sem dúvidas, são as categorias de base. Seja pelo desenvolvimento, utilização ou forma de condução – dentre outros. Desta forma, o NE45 conversou com Augusto Moreira, novo coordenador e há cerca de um mês à frente do departamento do clube, que explicou a visão da atual diretoria e apontou mudanças na forma de gestão.

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De acordo com o dirigente, por exemplo, a política de negociação que vinha sendo usada pelo clube recentemente – cessão dos direitos de atletas para clubes de mais apelo junto ao mercado exterior, visando venda futura – não será algo que terá sequência.

Além disso, Augusto Moreira afirmou que o clube vai implementar um mesmo modelo de jogo como padrão em todas as categorias de base, a fim de que possa, no futuro, ser replicado no time profissional do Sport. Confira esse e outros temas na entrevista abaixo.

Entrevista – Augusto Moreira, coordenador da base no Sport 

Para começar, como a nova gestão encontrou a base? E como a diretoria avalia este departamento?

“Antes de efetivamente falar do que encontramos, é importante destacar o conceito da gestão para a divisão de base. Nossa gestão entende que futebol de base será a grande mola propulsora para mudar o patamar técnico e financeiro do Sport nos próximos cinco anos. Técnico porque queremos fomentar a formação dos atletas e utilizá-los nos profissionais. E financeiro para desconcentrar a nossa receita que a maior parte é oriunda da TV. Iremos desenvolver o trabalho para ter ganho técnico em campo e financeiro, que é uma projeção de venda futura, o que dará uma possibilidade ter um orçamento mais tranquilo e com menos atropelo. Por que? Porque os orçamentos oriundos de patrocínio de camisa ou TV são coisas que fogem do controle. Se cair de divisão, a cota diminui, por exemplo. Patrocínio de camisa é a mesma coisa. Agora a base, não. Se eu investir em atleta com potencial, posso ir ao mercado vendê-los e gerar renda para o clube. Então além da importância técnica, dá ao Sport a condição de ter uma tranquilidade financeira pois a utilização depende especificamente do Sport. Isso é muito importante”. 

Qual política a gestão planeja?

“Nosso modelo é diferente. Não estou criticando a gestão anterior, mas na nossa gestão vamos olhar para frente. O modelo que existia anteriormente era a venda prematura de novos talentos, do sub-14, sub- 15. E no nosso modelo central não queremos ter isso como parte estrutural. Podemos até fazer em alguns casos, mas dentro do modelo principal não”. 

Então a torcida pode esperar que esse tipo de negociação não ocorra mais?

“Não quer dizer que eventualmente não possamos fazer até porque herdamos o clube com alguns contratos, algumas fraquezas internas. Muitas vezes queríamos fazer algumas ações internas mas não podemos por contratos. Mas essa não é estratégia. Quando tivemos que reduzir a folha, saíram alguns atletas do profissional. E o que antigamente o Sport fazia, ia contratar jogadores. E o que fizemos? Repatriamos Ewerthon e Juba. Os dois voltaram, jogaram, estão integrados. Um exemplo real é esse, já fizemos. Essa será a nossa tônica. Nos jogos que fizemos, tivemos 11 jogadores entre titulares e reservas. Pode ter certeza que futebol de base será o grande propulsor dessa retomada do Sport”.

Modelo de trabalho no dia-a-dia.

“Iremos criar um plano de treinamento, modelo de jogo desenvolvido. Definimos nossa missão e visão, definimos o modelo de jogo do Sport, o DNA do atleta do Sport. E estruturamos esse modelo por categoria. O futsal vem para o guarda-chuva da divisão de base, está integrado. Criamos as categorias sub-7 ao sub-12 e eles treinam futsal e campo. Serão campos reduzidos, barras reduzidas, bolas de peso adequado para o garoto estar inserido no desenvolvimento técnico. Até os 14 anos nosso modelo de treino será técnico. De 7 até 14 anos 70% será técnico. Não iremos falar de formação, 4-3-3 ou 4-4-2, iremos desenvolvê-los com a bola. Não terá posição predefinida, iremos passá-los em todas as situações posicionais de treino. Queremos  implementar a neurociência no esporte porque é na mente que formamos um atleta. E faremos treinamentos específicos em todas as posições. Todo esse modelo está sendo desenhado e começando a ser implementado. Criamos um departamento, que terá uma análise de mercado onde iremos analisar potenciais jovens talentos, prospectar e trazer esses talentos para testes no Sport. Jogador é a matéria-prima e para ter a matéria-prima teremos que analisar se aquele atleta encaixa no clube. E assim diminuiremos os erros na captação”

Você falou em ‘’DNA’’ do atleta do Sport como um modelo. Qual ou como seria?

“O modelo de jogo é: iremos jogar em função de ter a posse de bola, linha alta e em função do gol. Treinaremos diversos modelos de jogo, mas o nosso modelo será propositivo, em função do gol. Desde a base até o sub-20. Isso não quer dizer que não teremos variação, logicamente no futebol teremos variação. Mas o DNA da gente nesta formação será sempre propositivo”.

Essa implementação do DNA, modelo, departamento de análise, enfim, vai gerar algum custo extra ao Sport?

“Na questão orçamento, a gente ainda não tem definido para o próximo ano porque pegamos o clube agora e são muitas demandas. E, segundo, temos que fazer uma projeção de acordo com Série A ou Série B, isso daí muda completamente. Mas que a base terá orçamento, sim, independente de qual divisão que seja. E dentro desse orçamento ela será prioritária porque ali é onde iremos realmente fomentar um trabalho que não é de curto prazo, é de três a cinco anos. O torcedor tem que ter essa consciência. Três (anos) na melhor das hipóteses, cinco é um prazo médio e dependendo de algumas situações pode ser um pouco mais alongado. E dentro desse orçamento faremos mais com menos”.

Mas, para o momento atual, fazer todas essas adaptações na base, trará algum custo extra ao clube?

“Não estamos fazendo um custo extra, ainda estamos estruturando. Neste primeiro momento será feito sem custo financeiro. Estamos estruturando para a partir do próximo do ano efetivar esse departamento, montar. Não é simplesmente querer, é todo um processo, sistema”.

Uma percepção que se tem sobre os jogadores da base é que quando chegam no profissional não estão bem desenvolvidos do ponto de vista físico. Gostaria de saber se você concorda e como o Sport pretende trabalhar essa questão.

“Concordo, realmente. E não é assunto (só) do Sport, os atletas da nossa região chegam com uma condição física abaixo do que os atletas da região Sul e Sudeste. Esse é um trabalho que a gente vai querer desenvolver de forma específica. No primeiro momento o clube não tem a condição de fazer um trabalho nutricional, físico, de direcionamento específico para todos os atletas. Isso seria o ideal, o modelo ideal. Mas a gente vai criar em cada categoria, àqueles atletas de maior projeção, iremos montar um plano individualizado para esse desenvolvimento. Quando se joga uma competição de base, por maior que seja o nível, ela tem um nível de intensidade, de valência diferente de uma competição profissional. Então é bem diferente o nível das competições. Temos que preparar o atleta não apenas tecnicamente, mas a questão física, mental”.

Isso é algo que vem sendo feito com Gustavo?

“Gustavo ganhou 2.5 kg de massa magra, está fazendo um trabalho com a nossa preparação física e fisiologia, nutricionistas. Ele deu uma encorpada. É fruto desse trabalho específico, conversas da diretoria e comissão técnica, mostrando para ele o potencial e o valor que ele tem e que ele pode ir muito longe”.

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