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Sport: CD nega punição e absolve conselheiro que reproduziu homofobia contra ex-BBB

Reunião ainda teve expulsão do diretor de Inclusão e Diversidade

Foto: Anderson Stevens/ Sport Recife

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Seis meses depois, não mudou nada. Em reunião ordinária realizada na noite desta terça-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Sport rejeitou o parecer emitido pela Comissão de Ética, que sugeriu advertência por escrito a Flávio Koury, e absolveu o conselheiro.

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Em maio, Koury reproduziu falas homofóbicas contra o ex-BBB Gilberto e foi alvo de pedido de exclusão do quadro de conselheiros do clube, mas acabou sem nenhum tipo de sanção. A decisão do plenário ocorreu por maioria simples em votação nominal.

Expulsão de diretor

A reunião desta noite ainda foi marcada por um episódio lamentável. Gabriel Augusto, diretor de Inclusão e Diversidade, foi expulso da sessão pouco antes de começar a votação. “Vai embora” e “Você não merece ser diretor do Sport” foram algumas das declarações hostis dadas por conselheiros em áudios que registraram o momento e circulam nas redes sociais.

Ao NE45, Gabriel falou sobre o ocorrido. Além de sócio do clube, ele representa a vice-presidência de Inclusão e Diversidade junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que investiga o caso.

“Entendia que como sócio e como parte da vice-presidência, tinha que acompanhar o desfecho, até porque está sendo amplamente debatida no país e pelo MPPE. O que aconteceu, então, é que os sócios não estavam sendo permitidos. Mesmo assim entrei na sala e comuniquei à secretária, me apresentei, e pedi que ela informasse isso ao presidente porque estava ali buscando informações de um caso que era sensível. Por duas vezes o presidente solicitou que quem não fosse conselheiro, saísse, porque a discussão seria apenas entre conselheiros”, iniciou Gabriel.

“E quando chegou essa pauta ele pediu pela terceira vez, então eu levantei a mão, solicitei a palavra e disse que respeitaria a decisão, mas gostaria de me dirigir ao Conselho sobre as razões de ter permanecido ali, que além de sócio, sou LGBT, é um tema sensível, acompanho no MPPE junto ao Sport. Mas ele não permitiu e aos gritos solicitou que eu saísse da sala. Contei com a solidariedade de alguns conselheiros, que me acompanharam na saída”, explicou o diretor à reportagem.

O NE45 tentou contato com Pedro Lacerda, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Relatório da Comissão de Ética

O parecer elaborado pela Comissão de Ética foi entregue por Silvio Neves Baptista – um dos cinco integrantes do colegiado – na reunião de 19 de outubro. Dentre as possibilidades a serem indicadas no relatório, estavam ainda a suspensão ou exclusão de Flávio Koury. Porém, a sanção sugerida acabou sendo a mais branda, que terminou sem ser acatada.

A ideia, inclusive, na ocasião, é que o conteúdo do parecer – a sugestão pela advertência – fosse mantido em sigilo no Conselho Deliberativo. Entretanto, a reportagem – assim como outros veículos de comunicação – obtiveram acesso ao indicativo do relatório.

O caso

As falas de Flávio Koury vieram à tona em áudios que circularam em maio e rapidamente repercutiram nacionalmente. Logo em seguida à divulgação, torcedores do Sport lançaram uma campanha pedindo a extinção do conselheiro do quadro do Deliberativo, algo que não foi descartado por Pedro Lacerda, presidente do CD. Três dias depois, o conselheiro Romero Albuquerque entrou com um pedido de exclusão contra Flávio no Conselho – o que deu início a todo esse processo no órgão.

Em nota oficial, o clube prometeu providências sobre o ocorrido. E, fora os poderes do Sport, quem também se manifestou foi o ex-capitão, Patric, que publicou vídeo em apoio a Gil do Vigor.

Depois, no clássico contra o Náutico, o Sport utilizou as cores da bandeira LGBT na braçadeira de capitão, em apoio à luta, além do nome ‘Do Vigor’, apelido de Gil, nas camisas de todos os jogadores no clássico. Na celebração do gol do Leão, inclusive, os jogadores comemoraram com a dança ‘tchaki-tchaki’, característica de Gilberto.

Comissão de Ética

No dia 8 de junho, em reunião ordinária, o Conselho Deliberativo criou a Comissão de Ética, que, ali, teria 30 dias – que poderia ser prorrogado por mais 30 dias, se necessário – para avaliar o caso. Porém, demorou mais de dois meses para que os integrantes se reunissem pela primeira vez e dessem andamento ao processo.

Em julho, a explicação foi de que o momento político do clube – que passou por renúncias simultâneas e nova eleição – retardou o processo. Em agosto, o posicionamento dado foi de que não tinha havido sequer ainda a oficialização da Comissão de Ética.

Compõem o comitê, aliás, Fernando Pessoa, Silvio Neves Batista, Arsênio Meira de Vasconcelos, Paulo Belfort e Marcílio Paraíso, todos com serviços prestados ao clube – fator imprescindível, de acordo com Pedro Lacerda, assim como pertencerem à área jurídica, exceto o último da lista, que é arquiteto.

O que diz o estatuto?

Pelo estatuto atual do Sport, um sócio ou conselheiro só poderá ser excluído do quadro, entre outras coisas, caso “seja condenado em ação penal transitada em julgado, com pena de exclusão por ato desabonador” ou cometa “faltas graves contra interesses superiores ao Sport como: a) faltar com decoro social no recinto do clube ou do estádio. b) atentar contra a imagem do Sport, ou membros de sua administração, da sua equipe técnica, ou dos seus atletas. c) ser judicialmente condenado mais de uma vez, no espaço de cinco anos, por infração praticada na Ilha do Retiro, tipificada como tumulto, porte ou tráfico de drogas proibidas.

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